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Cordeiro ou Canhono?

pelo caminho o borrego e o malato

Os produtos de denominação de origem protegida (DOP) são uma interessante e necessária realidade no Portugal da União Europeia (UE). Só assim é possível protegermos os nossos produtos genuínos contra a zurrapa que nos chega da europeização e globalização. Em Mirandela, serão os Azeites DOP, de Trás-os-Montes, os que mais nos podem beneficiar e que têm feito um percurso notável e, aos poucos, vão amealhando prémios de qualidade. Só assim poderão afirmar-se no mercado global como produtos de excelência. Recentemente veio a público a classificação de origem protegida, pela UE, ao «Cordeiro ou Canhono Mirandês». Esta designação, «cordeiro ou canhono» vai ser confusa ou deturpadora do que o cliente pedir, a não ser que seja uma habilidade citadina de marketing, o que será penalizadora para uma marca que se quer de qualidade excelente. Os alentejanos são mais práticos e chamam aos cordeiros crescidos borrego e, pelo meio, podem meter carneiro ou ovelha, isto é, na nossa linguagem transmontana (pelo menos mirandelense, temos muito vocabulário rural em comum) canhono e canhona. Isto intriga-me tanto mais que a língua minoritária mirandesa, tal como nós tem a denominação de cordeiro ou anho para os ovinos mais novos, borrego para os mais crescidos, malato para as reses entre um e dois anos e só depois vem o canhono ou carneiro. Será que quem faz esta classificação já não conhece bem o significado das palavras? Ou será que assim também se pode vender carneiro ou canhono por cordeiro? Outra situação original é a classificação «ovinos de raça churra galega mirandesa». O correcto para mim seria «ovinos de raça churra galega» dos criadores de Miranda do Douro. Por este caminho temos tantas raças quantas as quintas. Contudo, quintas que tenham dado origem a uma raça só ainda conheço a Quinta da Terrincha que deu nome à «ovelha terrincha». Já viram os nossos agricultores a dizerem que têm bovinos da «raça mirandesa mirandelense»? Para esta minha discordância apetece-me citar a expressão que a minha saudosa mãe usava: - está boa a canhona, o que tem é pouco molho! Neste país em que abrasileiramos ou rebaixamos a língua de Camões já pouco me espanta e na designação acima vejo um cobrir com um vocábulo o que, porventura, as rações «plásticas» deixem a descoberto. Cordeiro ou cabrito só de confiança porque outras histórias já vêm de longe, pelo menos conheço-as há mais de quarenta anos. Se estivesse por aqui o Toninho Feliz criador de cordeiros certificados não me deixaria ficar mal. Por isso, não se esqueçam que do cordeiro ao canhono, tem pelo caminho o borrego e o malato.

A Castanha e o Castanheiro

Apresentação do livro
"Maria Castanha - Outras Memórias"

Encontro de especialistas: Jorge Lage e José Ribeiro

Na livraria Traga-Mundos, de António Alberto Alves, em Vila Real, ao serão do dia 28 de janeiro de 2017, o Professor Engenheiro José Ribeiro da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e Professor da Universidade Sénior de Vila Real apresentou o livro «Maria Castanha - Outras Memórias» da autoria do investigador e escritor Jorge Lage. 

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Os Dormidos

Bolos do tempo de Páscoa

São uns bolos do tempo de Páscoa e que só são feitos no fim-de-semana dos Ramos, da Páscoa e da Pascoela.

A Inês, patroa da Padaria Seramota, guarda ciosamente a receita e não abre muito jogo, são feitos com farinha, fermento de padeiro, manteiga, azeite, ovos, leite, aguardente, sumo de laranja, açúcar e canela. Como se fosse uma secreta herança, foi-me dizendo: - Foi a mãe do senhor Joãozinho Belo que deu a receita a minha avó Olema! (O Joãozinho Belo tinha uma quinta na zona da Reginord.) Chamam-se «Dormidos» por ficarem 24 horas a levedar (mais se o tempo estiver frio e um quase nada menos se tempo estiver quente) ou a dormir. - 24 Horas? – Eu chamava-lhes dorminhocos! Aos dormidos há quem lhe chame o «Folar doce» da Páscoa. Curioso registar que o «Bolo Dormido» é de massa menos compacta que o «Bolo Podre» de Santa Maria de Émeres (quem quiser encomendar este ao longo do ano, é só telefonar para a Iva, secretária do Presidente do Município de Valpaços). O «Bolo Dormido» é bastante idêntico aos «Bolos Merendeiros» de Montoito (concelho de Redondo) e do «Bolo Podre de Serpa». A «Boleima», que o padeiro de Moitoito se cansou de fazer, é mais próxima do «Bolo Podre» de Santa Maria de Émeres – Valpaços. «Bolo Dormido» ou «Bolo Podre» referem-se ao processo lento de levedação de muitas horas, isto é, a massa do bolo fica a «dormir» ou a «apodrecer». Um dia, encomendei meia dúzia de «Bolos Podres» a uma inexperiente e jovem padeira de Argeriz – Valpaços e trouxe seis pedaços de massa embezerrada. A jovem desculpou-se, dizendo que não os tinha deixado levedar o tempo suficiente. Mas, se quiserem «bolos dormidos», esperem pelo próximo tempo pascal, pelo que disse a Inês, já não demora muito. É que eu queria comprar uns bolos dormidos e fui informado que só para a próxima Páscoa. Para o ano vou-me vingar e compro logo meia dúzia.