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Restaurante "Chaxoila", em Vila Real

Restaurante Chaxoila, em Vila Real, Portugal

O Chaxoila é um restaurante de tradição da cidade de Vila Real, em Trás-os-Montes. Situa-se do lado direito, na estrada nacional que nos leva a Vila Pouca, Pedras Salgadas e Chaves, logo à saída da cidade. Desde muito cedo, este restaurante foi adotado pela confraria dos Pyjamantes de Vila Real como um dos seus preferidos para as tertúlias anuais: reuniam-se, uma semana antes do primeiro de dezembro, os tertulianos vestidos com a parte superior dos pijamas, comendo, bebendo e “batizando” os novos com rituais divertidos.
Marcada a mesa com antecipação, encaminhados fomos para zona de fumadores que hoje não deveriam existir em áreas cobertas e, evidentemente, contrárias ao nosso agrado. Não fora o cheiro a tabaco por sorte já em cima da sobremesa e, por isso, não sobreposto ao saboroso assado de cabrito antecedido de uma boa tripa, bem condimentada, aos molhos, de tradição verdadeira e vila-realense, o almoço colocar-se-ia numa classificação de nível superior.
As tripas aos molhos, prato nascido nos primeiros tempos da existência da taberna que tomou o nome do dono “o Chaxoila”, casa de pasto, ainda hoje assim designada, é o resultado do enrolamento de partes do bucho e do intestino da vaca, com presunto e salsa.
Um gato por cima do telhado transparente, mostrou o seu encanto à chegada, numa mistura de sol e folhas caídas de outono. Um quadro original presenteou-se assim do lado das nuvens, por entre azeitonas regadas em azeite, broa de milho e pão de trigo, mais uns pedacitos saborosos de bola de carne e um vinho tinto de caneca que nos pareceu dentro do espírito duriense.
O creme de leite foi de encontro aos desejos: levemente escaldado após estágio no frigorífico, encontrava-se muito bem queimado, estaladiço, gostoso.
O Chaxoila merece certamente uma nova oportunidade para aferir de alguns pormenores, mas, em conclusão, pareceu-nos um lugar digno de visita para almoçar.


Placa alusiva à Confraria dos Pyjamantes, no Chaxoila, em Vila Real

A indústria dos incêndios

A indústria dos incêndios e a defesa da floresta

«a desgraça de uns é a fortuna de outros»

Os incêndios têm fustigado o país e a primeira preocupação da tutela, quando grandes zonas do país estavam a ser reduzidas a cinzas, foi dizer que tínhamos tido menos incêndios do que em 2015. Claro que, quando num ano arde muito, no seguinte poderá não arder tanto, porque já não há floresta para arder.

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A Caminho de Santiago (Prefácio)

por João Alarcão de Carvalho Branco

Viver é peregrinar. Muitos o têm afirmado alicerçando este seu juízo nas obrigatórias etapas que os seres humanos têm que percorrer desde o berço até às portas da eternidade. Parece-nos, contudo, que esta asserção deve ser corrigida porque há uma enorme distância entre o voluntarismo, a determinação, a iniciativa do peregrinar e a acomodação às circunstâncias que nos obrigam a mover nesta ou naquela direcção, a seguir este ou aquele caminho. A maior parte das vezes a nossa capacidade de escolha é limitada por pressões externas, por factores alheios à nossa vontade, que nos deixam pouca margem de decisão quanto ao emprego que aceitamos, ao local onde vivemos ou até ao usufruto dos tempos livres de que dispomos.

Peregrinar é o contrário de tudo isto. É a eleição voluntária do objectivo a alcançar, do ponto a atingir.

É a persistência determinada para vencer as dificuldades, os sacrifícios, ou até sofrimentos, que nos separam da meta estabelecida. O corpo, o físico, e as suas limitações, moldam-se ao espiritual, e o intelecto, severamente racionalista ou vaidosamente individualista, só então se abre para o vasto, para o sublime, para o absoluto.

Por um lado aprende-se a ignorar as exigências físicas, o cansaço, o obstáculo, por outro aprende-se o valor do grupo e da inter ajuda, e a grandeza do objectivo comum. Foi por isso que o escritor quinhentista Fernão Mendes Pinto viu e relatou a busca incessante e aventurosa dos portugueses a caminho do Extremo Oriente, que tão bem conheceu, titulando a sua obra de renome mundial de Peregrinação. E o mais curioso sentimento que ganhamos ao ler esses relatos do infindável rosário de penas que percorremos nos mares da Índia é a inevitável constatação de que essa peregrinação do século XVI se estendeu para além dos descobrimentos, movendo-se no século XIX para o Brasil, e crescendo desmesuradamente no nosso tempo para França, Alemanha, Suiça ou Luxemburgo. Peregrinos fomos. Peregrinos somos.

Sobretudo a norte de Portugal e, mais especificamente em Mondim, ou nas Terras de Basto, onde Peregrinar continua a ser O Destino. E se é verdade que a miragem, o sonho, o objectivo individual, nos não leva já a participar no esforço comum, na obra colectiva nacional, não o é menos que esse hábito de peregrinar têm em nós as mais profundas raízes.

Pela maravilhosa circunstância que nos permitiu nascer à sombra da Senhora da Graça a que os nossos avós secularmente subiam, como Romeiros ou Peregrinos, o que nós fazemos, modernamente, em Setembro ou em 25 de Julho, dia do Senhor São Tiago e do nosso padroeiro S.Cristóvão que com S. Gonçalo de Amarante, abençoam os peregrinos que procuram os vaus e as Pontes dos rios quando vão mais longe a Compostela.

Como em 1465 fez o Barão Laroslav Lev von Rosmithal, cunhado do Rei da Boémia, depois Checoslováquia, que vindo da Barca de Alva atravessou terras transmontanas e o nosso concelho, cruzando o nosso Tâmega na Barca de Atei para o Arco de Baulhe, a caminho de Braga, de Tuy e Compostela, na companhia do Burgomestre de Nurburing e de outros peregrinos checos e alemães.

Tradição que a Irmandade de Peregrinos a Santiago de Compostela por Terras de Basto tem procurado dinamizar redescobrindo, marcando e divulgando veredas seculares adormecidas. Ao mesmo tempo que percorre esses e outros Caminhos de Santiago, de Ponte de Lima a Tuy, o de Vila Nova de Cerveira a Gondomar, confluindo a Pontevedra onde vive e reina Celestino Lores Rosal e a Associacion de Amigas y Amigos do Caminho Português a Santiago em cujo Albergue, por onde passam anualmente mais de 30.000 peregrinos, está agora uma calçada de pedra de Mondim assente por peregrinos mondinenses. Pedra oferecida por Fernando Carvalho Gomes, Presidente da Junta de Mondim, a Tino Lores, aquando do Encontro de 2011 do Contar, Cantar e Pintar Mondim que teve como tema os Caminhos de Santiago e ao qual o autor, Luís Jales de Oliveira, o nosso Ginho, apresentou esta preciosa memória que agora edita em livro para felicidade de todos nós.

Porque Luís Jales de Oliveira é um Peregrino. Da Alma Mondinense e de tudo que a marcou e marca.

Deveria eu agora, que tanto me alarguei já em generalidades, escrever sobre o autor, se não tivesse a consciência de quão desnecessário é fazê-lo. Tal é o forte, marcante e brilhante número de páginas que ele nos tem legado. Não só nos seus livros como nas suas crónicas ou artigos dispersos por publicações periódicas, das quais me permito destacar o "Monte Farinha" ou "O Jornal de Mondim" que tanto gosto nos deram a fazer e que tanto ganharam com o fulgor da sua escrita. Todos estes percursos literários e jornalísticos do Ginho constituem uma autêntica Peregrinação. Uma persistente e verdadeira Peregrinação Histórica e Cultural de Mondim e dos Mondinenses.

Tão impregnado está o que escreveu com as tradições, a memória e a religiosidade dos homens da nossa terra.

Uma Peregrinação em que, vencendo persistentemente tantos obstáculos, enalteceu o enorme significado que sempre tiveram para nós de O Rio, o Tâmega que a todos "nos corre no peito", e o Monte Farinha, a "Pirâmide Verde" do alto da qual vela, por nós e pelos nossos antepassados, a Rainha de Basto e nossa Mãe, a Senhora da Graça. Rio e Monte ameaçados gratuitamente por predadores, nacionais e internacionais, que lavando as mãos como Pilatos fingem ignorar que o inevitável desfecho da sua ganância ou da sua incúria nunca trará a Mondim e aos mondinenses a felicidade e a prosperidade que prometem.

Uma Peregrinação que, com a força rítmica da sua palavra, o Ginho, transporta para as nossas almas - quer elas estejam em Diekirsch, Rodange ou Pétange, em Neuchatel ou Berna, no Rio de Janeiro ou no Recife, no Porto, em Lisboa ou em Mondim - toda a frescura telúrica do nosso Tâmega e toda a grandeza maternal e religiosa da Senhora da Graça e do Apóstolo São Tiago.

Todos nós mondinenses, homens de Basto, peregrinos fomos e peregrinos somos. E o autor peregrino foi e peregrino é. Da sua e da nossa memória colectiva. Como bem prova a Noite dos Romeiros que idealizou e fez crescer, e na qual todos nos juntamos, na véspera do Dia do Concelho, do nosso Padroeiro São Cristovão, e do Senhor Santiago, a 25 de Julho, para lembrar e homenagear o Apóstolo que jaz em Compostela.

De cujos Caminhos o autor, tão maravilhosamente como sempre faz, aqui nos fala.

João Alarcão de Carvalho Branco - Historiador, investigador, genealogista, conferencista, escritor e jornalista.

Presidente da Irmandade de Peregrinos a Santiago de Compostela por Terras de Basto.

in A Caminho de Santiago, de Luís Jales de Oliveira

Pesca furtiva

Pesca furtiva: - abora, abora zespe-te!

Nunca gostei da pesca clandestina e criminosa que alguns peixeiros e alguns marginais praticavam. Às vezes sentia o rebentar das bombas no rio Rabaçal, mas nunca me cheguei por perto. Acho que era uma dor de alma, apesar da minha turbulência enquanto criança. Doía-me o coração de ver as bogas e os barbos pequeninos a irem pelo rio abaixo inertes ou num sofrimento atroz tentarem respirar à tona da água.

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"Deus nos livre de vergônhas!"

Reflexão

Sorri à menina que já não sou e fui a pensar no euro e oitenta e cinco cêntimos que paguei por um bom molho de cebolas, um quilo e tal de apetitosas e tenras cenouras e um quilo de deliciosos e suculentos tomates coração de boi.

Dissera-me a vendedeira simpática e afável, rosto tisnado pelo sol, enquanto procurava quinze cêntimos para me devolver:

- Não chega a nada, menina!

E, encolhendo os ombros, continuou:

- Deus nos livre de vergônhas!

Também ela sorriu às vergonhas que não as da praia da Apúlia.