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ArteAzul-Atelier

 

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Práticas e costumes das comunidades: as culturas regionais

Chelas, Mirandela – "Aldeia bordada de xisto"

«Aldeia bordada de xisto» foi o epíteto dado pelo Cónego Silvério Pires, pároco de Chelas, do concelho de Mirandela, por ter no casario antigo e arruinado como material mural o belo e nobre xisto. Todo o arciprestado de Mirandela mostrou desinteresse em ficar com o pároco de Chelas. Há valores que vão para além do somatório das «côngaras» dos paroquianos e talvez o Cónego Silvério tenha querido dar esta sábia lição aos demais padres.

Já não há Pastores em Mirandela?

Em finais da década de cinquenta, há cerca se sessenta anos, só na minha aldeia havia uns oito rebanhos de gado, a saber: dos Pinto Azevedo (de Vale Pradinhos – Macedo de Cavaleiros) cujo pastor era o António Mateus, de alcunha «o Sardinha» que tinha uma memória prodigiosa; do casal do Capitão Ilídio Esteves, sendo pastor o Abel Caldeiras, dos homens mais íntegros e sérios que conheci, embora tivesse mau vinho; do Correia de Oliveira onde pastoreava o Miguel Mateus; do meu tio, António José Lage; do meu pai, Eugénio Lage, cujo pastor mais marcante foi «o Canhoto» (Adriano); do Carlos Meireles, cujo pastor mais sonante foi «o Campainha»; o dos Abelhas, por vezes, com o Arlindo mais no trabalho de paquete e o Rôla (João) como pastor; e o do Casal dos Limas.

Ou da Barca!... Ou Ti Bnadito!...

Era no tempo da apanha, em que o rio gelado pela fúria das invernias e das neves derretidas na serra da Sanábria impunha respeito, indo pelas bordas e levando o meio cheio.

O Senhor Ramalho, oleiro de Bisalhães

Foi em 1962 que fui para a estrada do Marão e já o meu pai lá tinha estado desde 1940, mais ou menos. Era um saltinho de Bisalhães até ali. Por volta de 1950, alcatroaram a estrada... Lá se ouve o barulho de um automóvel. Será que vai parar? Vinte ou trinta escudos era o que fazia num dia.

Enterro do Bacalhau, tradição popular de Vila Real

Costume de Vila Real, em tempos que já lá vão. Chico Costa, em Crónicas de Vila Real (1987), conta como era. Na noite de Sábado Aleluia saía o Enterro do Bacalhau. "À frente, um esquadrão de cavalaria, com terno de clarins, da tropa do Matadouro, abria o cortejo. Seguiam-se na sua máxima força as tropas do Cimo do Campo da Rua dos Ferreiros. Um bacalhau enorme, feito de cartão, enfiado num garoto, seguia escoltado pelos últimos militares...".

(memórias)

Foi antanho, é passado,
Mas a memória devolve tudo:
Uma mulher, a roca, o linho fiado,
Mas não se fiavam as barbas ao Entrudo!

Responso de S. Justo
(Para livrar de todos os perigos)

Jesus, Santo nome de Jesus! (3 vezes)
Justo Juiz final,
Filho da Virgem Maria.
Foste nado em Belém,
E em vale de Jacaria.
Peço, Senhor, nesta hora,
E neste dia,
Que livreis e guardeis,
Toda a minha família,
De noite e mais de dia.
Quem for para lhe bater,
Prender ou algum mal lhe fazer,
Maus olhos não os vejam,
Má boca não lhe fale,
Maus braços não os abracem,
Más pernas não os alcancem,
Como disse Nosso Senhor Jesus Cristo ao seu discípulo.

Fasta-te e elo (3 vezes)
Com armas de Cristo, andem guardados
Com leite da Virgem Maria, orvalhadas,
Pelo sangue de Nossa Senhora e Jesus Cristo.
Tragam sempre sempre no corpo deles
Para não serem presos, nem mortos,
Caminhos andarão, bons e maus,
E encontrarão os bons.
Passarão os maus,
Não os verão.
Queria Deus que eles sejam,
De noite e mais de dia,
Como foi Jesus Cristo
Dentro do ventre da Virgem Maria.
Eu os entrego a Jesus,
E à flor donde Ele nasceu,
E à história sagrada,
E à Cruz donde Ele morreu.
Chagas abertas,
Coração ferido,
Sangue de Nossa Senhora,
E Jesus Cristo,
Entre Ele e o perigo.
- Em louvor da Virgem Maria,
Um Pai Nosso com uma Avé-Maria!

Recolhido em Avidagos – Mirandela, em 1985 in Brigantia, 1990, vol. 10, n.º 1/2.

Nota: Que há fenómenos que não sabemos explicar à luz do autoconhecimento é verdade e só me resta dizer como Cervantes: - eu não creio em bruxas, mas que as há, há! Esta minha divulgação deve ser vista mais pela faceta cultural. 

Caminhos de Ferro Maus Gestores?

Para o troço da linha do Tua, entre Mirandela e Bragança, que está desactivado, já fiz algumas sugestões para que fosse transformado numa ecopista que potenciasse o turismo ambiental e gerasse algum desenvolvimento. Eu supunha que era o marasmo ou falta de articulação entre as autarquias de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela que impedia a construção desta futura via ecológica e que captaria algumas receitas do turismo. Mas não, a CP quer que as autarquias paguem aluguer por deixar degradar aqueles espaços e estruturas e poderem contribuir para um Projecto de interesse regional. A CP que sobrevive à custa dos nossos impostos devia ter vergonha do ridículo de decisões centralistas. Afinal, quem, neste momento, devia pagar aos municípios era a própria CP porque detém uma parcela de solo de três municípios. Se eu pago impostos pelas duas ou três leiras que possuo e tento manter em bom estado de conservação, porque carga de água a CP não paga pelos terrenos que detém ao abandono e que se transformam em certos casos um perigo para a segurança de pessoas e bens? A minha sugestão é que os três municípios se unam num projecto intermunicipal e levem o poder central a que a CP ceda, por um espaço de 25 anos, a abandonada linha do Tua, construindo-se uma importante estrutura turística ecológica. Porque ao abandono, como a CP a mantém perde-se pau e bola. Afinal aquele espaço é de todos e deve servir para o bem comum.

Arte Cinzelada

de Adália Alberto

No passado dia 4, fiquei com pena de não ter subido ao alto do Monte Farinha afim de tomar parte na Grande Peregrinação de Setembro que anualmente ali ocorre no primeiro domingo deste preciso mês. Fiquei-me por terras de Leiria e com um casal vila-realense de familiares meus fui dar uma passeata pela zona balnear da região. Na Praia do Pedrógão parámos para na companhia dos pais e demais familiares da conceituada escultora Adália Alberto tomarmos um lanchezinho no Pão Quente e dar dois dedos de conversa que também ajuda no arejar da língua.

Merenda comida, companhia desfeita, houve tempo ainda para alguns do grupo continuarem a digressão "Pinhal de Leiria" fora e desse modo levar os convidados Amália e o Manuel Reis a conhecer a praia que  Afonso Lopes Vieira tornou famosa.

Num dos hotéis de São Pedro (Mar e Sol) estava patente uma exposição com trabalhos da Adália; em honra da conceituada artista bajouquense entrámos para deliciados regressar à capital do barro leiriense, onde  certamente esta conhecida escultora se inspirou antes de se notabilizar no transformar da pedra bruta em peças de arte cinzelada.

Floresta e Sobrevivência

Boas Festas, com «Floresta e Sobrevivência»

Em cada ano, ao aproximar-se a quadra natalícia, o Porf. De Botânica, Jubilado, do Departamento das Ciências da Vida, da Universidade de Coimbra, inclui-me nos seus 3.000 amigos a quem envia um postal de Boas-festas, composto por fotografias únicas, acompanhado de um texto bilingue (português Inglês), em que nos dá uma lição profunda sobre a biodiversidade, o futuro do planeta Terra e da Humanidade que vai cavando o seu fim.

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Livro "Cada Homem é uma Raça"

Mia Couto

Durante as férias aproveito para ler. Este ano o livro do escritor moçambicano Mia Couto, «Cada Homem é uma raça», foi um dos escolhidos. Esperei que a minha mulher o lesse e peguei-lhe de seguida. Foi uma leitura leve mas que desperte interesse, levando-nos a correr atrás das palavras e dos enredos das onze histórias. A título de exemplo, menciono: «A Rosa Caramela», «A princesa russa» ou «O pescador cego».

Usa uma linguagem enfeitada com belas imagens, outras de uma grande crueza, como a descrição do pescador que arranca o olho para servir de isco ao peixe. Faz crítica social que se poderia aplicar em qualquer local, quando diz que «a inveja é a pior cobra: morde com os dentes da própria vítima».

É um criador de novas palavras, apercebendo-se logo o leitor do seu significado ou, pelo menos, do seu sentido, como esta, «falinventar». Para ajudar na leitura, o livro tem um glossário de palavras moçambicanas. Se o encontrar vai dar por bem empregue o tempo da sua leitura.