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ArteAzul-Atelier

 

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Encontro no Farol

A luz do farol está aí

Os Verões são motivo de esperança para esta gente. Este ano, o padre novo traz consigo ideias também novas. A procissão da festa em honra de Nossa Senhora das Graças que se realiza todos os anos no segundo Domingo do mês de Setembro, percorrerá agora uma grande parte das ruas, ao contrário dos anos anteriores em que se ficava pelo adro da igreja. É o principal tema de conversa. Concorda-se ou contesta-se o trajecto da procissão. Uns sentem-se abençoados, outros olham de soslaio o Padre Zé que se vai esforçando por contentar a todos. A contenda origina grandes discussões, principalmente na taberna do Ernesto. O Manel da Quinta, caneca na mão, desunha-se em berros entre a porta e a rua, gritando, espumado:
— Não ajudo ao andor se o raio do padre não passar a procissão pela minha rua. Nem eu nem os rapazes que tenho lá em casa.
Os rapazes são os enteados, filhos do casamento legítimo da companheira do Manel e do desgraçado que, há uns bons anos, quando desarreava o macho, este o espinoteou violentamente projectando-o contra a esquina da laje que servia de escada para a estrebaria. Morte santa. Nem deu conta, aquele infeliz, pensava a senhora Maria Rosa, mãe do Ernesto, sentada a um canto do balcão, carcomida pelos molhos de lenha que transportou toda a vida.
O Manel e aqueles três, lá vão cambaleados, já noite. A procissão continua a ser o pretexto para os desabafos que o vinho origina. Anestesiados, perdem a noção do tempo que passa. Esquecem-se mesmo do tema que discutiram horas a fio. Esgotam-se no choro inebriado desta noite estrelada de fim de Agosto e lamentam-se dos obstáculos da vida. Apesar destes obstáculos, e dos culturais, um raio de luz orientador surge sempre, independentemente das convicções e conceitos religiosos em que cada indivíduo se situa. Em muitas circunstâncias, aquele raio de luz brilha tão intensamente que trespassa a própria matéria, moldando-a, raspando mesmo as suas arestas mais agrestes. Talvez, infelizmente ou não, o efeito esperado por verdade fundamental sobre a qual se apoia o raciocínio mais básico não seja sobremaneira inspirador de ânimo. No entanto, apesar de completamente ranhosos de bêbados, lá conseguem penetrar as portas acolhedoras do lar e das famílias. A noite é longa e sofredora.
Parece que o mundo tem, inevitavelmente, uma apetência desencorajadora do que é contrário ao sincero e à sua normalidade e que, o aspecto diplomático, fazendo já parte de um processo, como que natural, serve de coluna vertebral e como suporte para a maioria das decisões determinantes dos caminhos universais do ser humano. Assim, tudo o que é de cariz ardiloso, contendo palavras subtilmente enganadoras e agilmente sedutoras, consegue, na maioria dos casos, suplantar a luz verdadeira, do farol que nos orienta. Estamos tão perto da verdade e recusamos o seu toque com subterfúgios de sedução. A luz do farol está aí, presente nas nossas vidas e aos olhos de todos, brilhante.
Mortificada pelas agruras da vida e pelo cansaço dos anos, apoiada na bengala, curvada pelo sofrimento, aquela velhinha consegue manter uma réstia de felicidade luminosa no seu rosto. Sentada num dos bancos da frente da igreja, alta e espaçosa, maior que a igreja da sua aldeia, espera a sua vez para a confissão. Em meditação permanente, continua com uma memória e lucidez extraordinárias, apesar da idade. Enquanto espera, pensa no Céu e reza pelo marido e pelos seus três filhos que para lá viu partir. Com esforço, olhar inclinado para o alto, absorvida por completo em seus pensamentos, sente a suavidade do toque da mão, amiga, naturalmente, na sua face. Antes ainda de satisfazer a curiosidade, o leve sorriso faz-se-lhe instintivamente. Após um instante, como que petrificada na humidade dos seus olhos, envolve extasiada aquele rosto, tão próximo do seu, de igual modo enrugado pela distância do tempo, que beija, finalmente!
— Francisquinha...! Deixa-me ver... 88...? Tens 88 anos de idade! Daqui a dois, se Deus quiser completo eu um século... Como é possível ao fim de tantos anos...?! Desde que foste para a escola pela primeira vez..., lembras-te?

Antónios de Vila Real

Concentração dos Antónios de Vila Real

No dia 13 de Junho de 1998, junto à imagem de Santo António, na Araucária, encontraram-se espontaneamente algumas pessoas, entre as quais, António Varejão, Arquitecto António Ferreira e António Mota, impulsionadores desde então e fundadores do Grupo dos Antónios de Vila Real que, anualmente, no dia de Santo António e naquele local, Antónios e Antónias se reunem para homenagear o seu Santo Padroeiro.

Desde o ano de 2003, além da concentração, os Antónios e Antónias organizam um jantar de confraternização. 

No ano de 2004, António Cabral escreve a letra e a música do Hino dos Antónios.

António Varejão, Arquitecto António Ferreira e António Cabral não se encontram já entre nós. Actualmente é o António Mota o principal organizador da concentração anual do grupo.

Manuela Morais

Fundou e dirige a Tartaruga Editora

Manuela Morais nasceu e cresceu numa casa que foi parte de um convento da Ordem Beneditina, em 1955, em Murça (Trás-os-Montes). Idealista, acredita que o amor e a vida existem em absoluto na alma da humanidade em unicidade e caminham para a eterna contemplação. Acredita, também que Portugal é um local sagrado. Andarilha mas persistente, viveu em Granada (Espanha) e em Seoul (Coreia do Sul).

Actualmente, o seu percurso geográfico é traçado entre o Porto, Chaves e Vila Viçosa.

Licenciada em Literatura Comparada, fundou e dirige a Tartaruga, - elevando e divulgando a língua e a cultura portuguesas, dando a conhecer muitos dos nossos autores contemporâneos. Instituiu e promove o Prémio Nacional de Poesia - Fernão de Magalhães Gonçalves.

À memória de seus Pais criou e apoia o projecto humanista "Um teto para todos".

Admira as Obras de Camões, Pessoa, Torga, Sophia de Melo Breyner Andresen, José Cardoso Pires, Florbela Espanca, Padre António Vieira, Natália Correia, Jorge de Sena, Fernão Lopes, Eugénio de Andrade, Bocage, Eça de Queirós, Cesário Verde, Fernão de Magalhães Gonçalves, António Cabral, Camilo e... outros.

Monumento aos Combatentes

Inaugurado há 20 anos em Lisboa

Fez 20 anos, em 15 de Janeiro último, que foi inaugurado em Lisboa, junto ao Forte do Bom Sucesso, em Belém, o Monumento Nacional que dá nas vistas de quem chega ou de quem parte, por terra, mar e ar. Como e porque apareceu ali, em tão nobre espaço, tão insólito e polémico Monumento que perpetuará, pelos séculos fora, «os melhores de nós todos» que foram cerca de um milhão de jovens, entre 1961 e 1974, nove mil dos quais perderam a vida nas antigas Províncias Ultramarinas?

Impunha-se inscrever na História de Portugal e para memória futura, o simbolismo desse Monumento, cuja ideia nasceu em Guimarães, em 1984, no seio da Associação dos ex-Combatentes do Ultramar. Em  29 de Janeiro de 1987, na sede da Liga dos Combatentes, foi constituída a Comissão Executiva, formada por representantes de oito instituições, alinhadas por ordem cronológica da sua fundação, a saber: Sociedade Histórica da Independência de Portugal (1861); Sociedade de Geografia de Lisboa (1875); Liga dos Combatentes (1924); ADFA (1974); Associação de Comandos (1975); AEFAP, (1977); Associação dos Ex-Combatentes do Ultramar (1982); e Associação Força Aérea Portuguesa (1983). Nessa data foi deliberado, por unanimidade, confiar a presidência dessa Comissão ao General Altino de Magalhães, na sua qualidade de Presidente da Liga dos Combatentes. Para além da Comissão Executiva foram também instituídas: a Comissão Técnica, para elaboração do projecto do Monumento e a abertura de concurso público aberto a todas as equipas de reconhecido mérito em arquitectura  e a Comissão de Honra  para que a construção do Monumento envolvesse toda a sociedade civil, desde o Presidente da República, a todos os órgãos de soberania. O então Presidente da República recusou o convite, alegando que essa intenção implicava uma imagem pública de concordância com a Guerra do Ultramar que ele (Mário Soares) não partilhava. Tal recusa fez com que a Comissão de Honra não fosse por diante. Apesar dessa resistência a Comissão Executiva não desanimou, antes entendeu que deveria ter o vulto de um Monumento Nacional e que era urgente a sua construção. E para ter a maior dignidade e transmitir força, serenidade e respeito, deveria convidar à meditação profunda do amor à Pátria e à exaltação do cumprimento do dever cívico. Mais: deveria prever-se a organização adicional de um Museu do Combatente. O Ministro da Presidência e da Defesa Nacional (Eurico de Melo) concordou com o caderno proposto pela Comissão Executiva e aprovou o espaço sugerido para a construção do Monumento, processo moroso que apenas foi concluído em 21/09/1990, já sob a tutela do Ministro Fernando Nogueira. A abertura do concurso para o projecto foi publicada no DR. de 5 de Maio de 1991, 3ª série e ganhou-o a proposta do Arqtº Francisco Guedes de Carvalho. A execução desse projecto foi entregue, por unanimidade e sem reclamações dos restantes quatro concorrentes à Firma Amadeu Gaudêncio que apresentou a proposta mais baixa: 95.598.967$00. A obra seria inaugurada, solenemente, em 15/01/1994, sob a Presidência do PR, debaixo de muitos apupos e grande contestação. O orador oficial convidado foi o Prof. Doutor Adriano Moreira. Do Ministério da Defesa, de algumas Câmaras  Municipais, Juntas de Freguesia, empresas e cidadãos individuais, foram reunidos 8.839.540$00. Com algumas verbas que sobraram foi deliberado colocar nas Muralhas do Forte do Bom Sucesso os nomes de todos aqueles que perderam a vida em combate. E foram cerca de 9 mil. Essa segunda inauguração ocorreu em 5/2/2000. Por despacho de 16/10/1998 a Comissão Executiva foi dissolvida, por já não se justificar e foi atribuída à Liga dos Combatentes a gestão daquele Monumento e também o espaço envolvente.

Tudo isto e algo mais pode ler-se no livro Monumento aos Combatentes do Ultramar (1961-1974), da autoria do General Altino de Magalhães que, ao tempo, era Presidente da Liga. Um valioso testemunho porque ninguém melhor do que ele conheceu os passos deste monumento nacional. Em 9/4/1989, durante as cerimónias da Batalha de La Liz, perante o vice-primeiro Ministro e Ministro da Defesa, Altino de Magalhães anunciou a abertura do concurso para a sua Construção e afirmou: «Como é do conhecimento público a Associação dos Combatentes do Ultramar, com sede em Guimarães, lançou há cerca de 4 anos a ideia da construção desse Monumento». Na página 19 do memorial editado em 2008 pela EUROpress confirma: «A Associação dos Combatentes do Ultramar (em Guimarães), no seu jornal Sentinela, em Março de 1985, referindo-se à construção desse Monumento, exprimiu que teriam o maior mérito todos os apoios para essa realização». Embora fique claro que a paternidade deste Monumento nos pertence, alude a uma referência em 1 de Fevereiro  de 1985  à Associação de Comandos. Este equívoco pode gerar alguma confusão histórica pelo facto de, na mesma página citar o Boletim Sentinela nº 7, referente a Março de 1985. É que  na edição nº 5 do mesmo Boletim, mas de Agosto de 1984, na página 3, já podia ler-se no Plano de actividades: «designação de um grupo de associados que tenham como tarefa essencial a angariação de meios e apresentação de estudos tendentes à construção de um Monumento nacional em homenagem aos Combatentes». BF criou, em 1982, aquela Associação que, em 1996, mudou o nome para Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar. Até 2002 foi Presidente da Direcção e director do Boletim Sentinela, com o pseudónimo de Fernando Paixão. Por sua proposta transferiu-se a sede para Tondela, em 2002, onde está de pedra e cal. Quem tiver dúvidas consulte esse Boletim, onde está  contada, número a número, essa cronologia que permite concluir, a paternidade e a responsabilidade desse Monumento. Só num e-mail datado de 8 de Outubro último pudemos conhecer a biografia, de uma das 2 filhas do associado Duval de Oliveira Bettencourt, Oficial Miliciano que faleceu em 11/03/1998.

Provérbios (E)

Em casa de ferreiro, espeto de pau.

Enquanto há vida, há esperança.

Entre marido e mulher, não se mete a colher.

Em terra de cego quem tem olho é rei.

Erva daninha a geada não mata.

Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.

Em tempo de guerra não se limpam armas.