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ArteAzul-Atelier

 

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Ti João da Forja

Encontro no Farol: o tempo é lento na aldeia

O tempo é lento na aldeia. Este ano o calor começou mais cedo. Nesta época, trabalha-se desde as quatro horas da manhã, pela fresca. Os homens levantam-se e encontram já as mulheres com o farnel pronto. É preciso aproveitar a água da levada que vem da nascente da mina do olmo, assim chamada, não sei porquê, dizia o Ti João da Forja, filho do antigo ferreiro, absorvido em pensamentos, enquanto caminhava, sachola às costas. Permanece apaticamente no tempo e no raciocínio, de mãos dadas ao neutralismo, habilitando teoricamente ideais desprovidos de sentido e, consequentemente, uma ausência de conteúdo e um vazio. O Ti João continuava dizendo que a mina existe ali, já há muitos anos, e nunca falhara com a água. A mina do olmo é a grande fonte da terra. Bebe-se dela, dá-se aos animais e regam-se as novidades. Estas palavras são ditas e reditas desde sempre. Servem como farol incitador de coragem e indicador de caminhos trilhados pelos sulcos, veios de transmissão do suor e transportadores de alimento. Os sulcos, apesar de suavizados pelas melhores intenções, actuam como se de placas tectónicas se tratassem, adormecidas às vezes, e por longos períodos de tempo, mas com uma grande capacidade de despertarem nos momentos menos esperados.
A manhã está a meio e o calor já aperta. As bestas, não lhes basta o carrego em cima, têm que aguentar ainda com as moscas, atraídas pelo encodeado nas virilhas dos animais. Servem-lhes de sossego o ramo de giestas que o moço, descalço, vergasta sem parar. Seguindo o percurso inverso da madrugada, o ritual diário continua, perdura no tempo, trespassando, com os mesmos métodos, diferentes gerações. Dir-se-á que o homem e a mulher acompanham os animais, permanecendo em estado anestésico, cortados do seu sistema nervoso central, incapacitados de aprender hoje o erro cometido ontem, vivendo por viver, sem sentido e, por suas culpas, sem orientação. Bem, não é assim tanto. A hora da refeição aproxima-se e há que escolher o sítio mais escondido do sol abrasador. A sesta é inevitável. No mesmo banco em que se comeram as batatas regadas em bom azeite, pende-se agora a cabeça sobre o peito, reforçando a papada. Fora da porta, no mocho de castanho, lá está a Luísa, enérgica como sempre, molhando o dedo na língua, esticando a linha, movimentos ritmados, cosendo e remendando. Sente um aperto no peito, tem pressa de acabar. Quer começar com os lençóis, com as rendas, não tarda é o dia do casamento.

Antónios de Vila Real

Concentração dos Antónios de Vila Real

No dia 13 de Junho de 1998, junto à imagem de Santo António, na Araucária, encontraram-se espontaneamente algumas pessoas, entre as quais, António Varejão, Arquitecto António Ferreira e António Mota, impulsionadores desde então e fundadores do Grupo dos Antónios de Vila Real que, anualmente, no dia de Santo António e naquele local, Antónios e Antónias se reunem para homenagear o seu Santo Padroeiro.

Desde o ano de 2003, além da concentração, os Antónios e Antónias organizam um jantar de confraternização. 

No ano de 2004, António Cabral escreve a letra e a música do Hino dos Antónios.

António Varejão, Arquitecto António Ferreira e António Cabral não se encontram já entre nós. Actualmente é o António Mota o principal organizador da concentração anual do grupo.

Manuela Morais

Fundou e dirige a Tartaruga Editora

Manuela Morais nasceu e cresceu numa casa que foi parte de um convento da Ordem Beneditina, em 1955, em Murça (Trás-os-Montes). Idealista, acredita que o amor e a vida existem em absoluto na alma da humanidade em unicidade e caminham para a eterna contemplação. Acredita, também que Portugal é um local sagrado. Andarilha mas persistente, viveu em Granada (Espanha) e em Seoul (Coreia do Sul).

Actualmente, o seu percurso geográfico é traçado entre o Porto, Chaves e Vila Viçosa.

Licenciada em Literatura Comparada, fundou e dirige a Tartaruga, - elevando e divulgando a língua e a cultura portuguesas, dando a conhecer muitos dos nossos autores contemporâneos. Instituiu e promove o Prémio Nacional de Poesia - Fernão de Magalhães Gonçalves.

À memória de seus Pais criou e apoia o projecto humanista "Um teto para todos".

Admira as Obras de Camões, Pessoa, Torga, Sophia de Melo Breyner Andresen, José Cardoso Pires, Florbela Espanca, Padre António Vieira, Natália Correia, Jorge de Sena, Fernão Lopes, Eugénio de Andrade, Bocage, Eça de Queirós, Cesário Verde, Fernão de Magalhães Gonçalves, António Cabral, Camilo e... outros.

Monumento aos Combatentes

Inaugurado há 20 anos em Lisboa

Fez 20 anos, em 15 de Janeiro último, que foi inaugurado em Lisboa, junto ao Forte do Bom Sucesso, em Belém, o Monumento Nacional que dá nas vistas de quem chega ou de quem parte, por terra, mar e ar. Como e porque apareceu ali, em tão nobre espaço, tão insólito e polémico Monumento que perpetuará, pelos séculos fora, «os melhores de nós todos» que foram cerca de um milhão de jovens, entre 1961 e 1974, nove mil dos quais perderam a vida nas antigas Províncias Ultramarinas?

Impunha-se inscrever na História de Portugal e para memória futura, o simbolismo desse Monumento, cuja ideia nasceu em Guimarães, em 1984, no seio da Associação dos ex-Combatentes do Ultramar. Em  29 de Janeiro de 1987, na sede da Liga dos Combatentes, foi constituída a Comissão Executiva, formada por representantes de oito instituições, alinhadas por ordem cronológica da sua fundação, a saber: Sociedade Histórica da Independência de Portugal (1861); Sociedade de Geografia de Lisboa (1875); Liga dos Combatentes (1924); ADFA (1974); Associação de Comandos (1975); AEFAP, (1977); Associação dos Ex-Combatentes do Ultramar (1982); e Associação Força Aérea Portuguesa (1983). Nessa data foi deliberado, por unanimidade, confiar a presidência dessa Comissão ao General Altino de Magalhães, na sua qualidade de Presidente da Liga dos Combatentes. Para além da Comissão Executiva foram também instituídas: a Comissão Técnica, para elaboração do projecto do Monumento e a abertura de concurso público aberto a todas as equipas de reconhecido mérito em arquitectura  e a Comissão de Honra  para que a construção do Monumento envolvesse toda a sociedade civil, desde o Presidente da República, a todos os órgãos de soberania. O então Presidente da República recusou o convite, alegando que essa intenção implicava uma imagem pública de concordância com a Guerra do Ultramar que ele (Mário Soares) não partilhava. Tal recusa fez com que a Comissão de Honra não fosse por diante. Apesar dessa resistência a Comissão Executiva não desanimou, antes entendeu que deveria ter o vulto de um Monumento Nacional e que era urgente a sua construção. E para ter a maior dignidade e transmitir força, serenidade e respeito, deveria convidar à meditação profunda do amor à Pátria e à exaltação do cumprimento do dever cívico. Mais: deveria prever-se a organização adicional de um Museu do Combatente. O Ministro da Presidência e da Defesa Nacional (Eurico de Melo) concordou com o caderno proposto pela Comissão Executiva e aprovou o espaço sugerido para a construção do Monumento, processo moroso que apenas foi concluído em 21/09/1990, já sob a tutela do Ministro Fernando Nogueira. A abertura do concurso para o projecto foi publicada no DR. de 5 de Maio de 1991, 3ª série e ganhou-o a proposta do Arqtº Francisco Guedes de Carvalho. A execução desse projecto foi entregue, por unanimidade e sem reclamações dos restantes quatro concorrentes à Firma Amadeu Gaudêncio que apresentou a proposta mais baixa: 95.598.967$00. A obra seria inaugurada, solenemente, em 15/01/1994, sob a Presidência do PR, debaixo de muitos apupos e grande contestação. O orador oficial convidado foi o Prof. Doutor Adriano Moreira. Do Ministério da Defesa, de algumas Câmaras  Municipais, Juntas de Freguesia, empresas e cidadãos individuais, foram reunidos 8.839.540$00. Com algumas verbas que sobraram foi deliberado colocar nas Muralhas do Forte do Bom Sucesso os nomes de todos aqueles que perderam a vida em combate. E foram cerca de 9 mil. Essa segunda inauguração ocorreu em 5/2/2000. Por despacho de 16/10/1998 a Comissão Executiva foi dissolvida, por já não se justificar e foi atribuída à Liga dos Combatentes a gestão daquele Monumento e também o espaço envolvente.

Tudo isto e algo mais pode ler-se no livro Monumento aos Combatentes do Ultramar (1961-1974), da autoria do General Altino de Magalhães que, ao tempo, era Presidente da Liga. Um valioso testemunho porque ninguém melhor do que ele conheceu os passos deste monumento nacional. Em 9/4/1989, durante as cerimónias da Batalha de La Liz, perante o vice-primeiro Ministro e Ministro da Defesa, Altino de Magalhães anunciou a abertura do concurso para a sua Construção e afirmou: «Como é do conhecimento público a Associação dos Combatentes do Ultramar, com sede em Guimarães, lançou há cerca de 4 anos a ideia da construção desse Monumento». Na página 19 do memorial editado em 2008 pela EUROpress confirma: «A Associação dos Combatentes do Ultramar (em Guimarães), no seu jornal Sentinela, em Março de 1985, referindo-se à construção desse Monumento, exprimiu que teriam o maior mérito todos os apoios para essa realização». Embora fique claro que a paternidade deste Monumento nos pertence, alude a uma referência em 1 de Fevereiro  de 1985  à Associação de Comandos. Este equívoco pode gerar alguma confusão histórica pelo facto de, na mesma página citar o Boletim Sentinela nº 7, referente a Março de 1985. É que  na edição nº 5 do mesmo Boletim, mas de Agosto de 1984, na página 3, já podia ler-se no Plano de actividades: «designação de um grupo de associados que tenham como tarefa essencial a angariação de meios e apresentação de estudos tendentes à construção de um Monumento nacional em homenagem aos Combatentes». BF criou, em 1982, aquela Associação que, em 1996, mudou o nome para Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar. Até 2002 foi Presidente da Direcção e director do Boletim Sentinela, com o pseudónimo de Fernando Paixão. Por sua proposta transferiu-se a sede para Tondela, em 2002, onde está de pedra e cal. Quem tiver dúvidas consulte esse Boletim, onde está  contada, número a número, essa cronologia que permite concluir, a paternidade e a responsabilidade desse Monumento. Só num e-mail datado de 8 de Outubro último pudemos conhecer a biografia, de uma das 2 filhas do associado Duval de Oliveira Bettencourt, Oficial Miliciano que faleceu em 11/03/1998.

Provérbios (E)

Em casa de ferreiro, espeto de pau.

Enquanto há vida, há esperança.

Entre marido e mulher, não se mete a colher.

Em terra de cego quem tem olho é rei.

Erva daninha a geada não mata.

Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.

Em tempo de guerra não se limpam armas.