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ArteAzul-Atelier

 

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Encontro no Farol: Luísa e Francisquinha

Encontro no Farol: Luísa e Francisquinha

Na aldeia pacata, quase sem nome de tão longe, não para os seus habitantes, muitos, os que constroem, multiplicam, trabalham e inventam, nem a distância consegue retirar-lhe a beleza e prosperidade. Entremos pela rua principal, direitos à praça, centro da aldeia. Repare-se no terreno onde existem árvores, flores e plantas, servindo para adorno do jardim. Espaço agradável, fresco pelo oxigénio exalado, belo aos olhos e a todos os sentidos. No jardim da praça, a terra lavrada e aplainada, submetida à extracção de todo o tipo de lixo impuro ao cultivo, de onde são separados rebos e calhaus, é como que sujeita a um trabalho de preparação e moldagem. Comparemos o terreno a um país fértil e de cultura variada! A rua mais estreita que desemboca na praça é rica pela diversidade e qualidade textural das superfícies. Inspiram artisticamente a mente pela variedade e riqueza de tons, cinzentos mas que transpiram movimento e vida. Tons que raramente se encontram e dificilmente se compõem. O cheiro, característico, só os homens e mulheres destas paragens sabem cheirar e apreciar verdadeiramente. O “splash” deixado em som pelos animais de porte que passam, constrói o fundo musical das conversas banais nas soleiras das portas ou nos mochos deste Verão quente que abafa. Num destes mochos, madeira grossa de castanho, sentada no que de mais profundo há no pensamento, ponteando atarefadamente, mexendo agulha e lã, cortando com os dentes o fio, enérgica, a rapariga levanta os olhos instintivamente para logo baixá-los de novo, desta vez com mais energia, um certo ar de quem não vê o passeante novo que tira nabos do púcaro à vizinha, três casas acima. Ajeitando subtilmente o banco com genuíno ar de observação e força de vontade para atingir e compreender, sem a mira de alvejar em cheio, livre de intuitos ou fins não alcansáveis, mas com um direccionamento bem definido e esclarecido, tal como a luz forte do farol que nos indica a costa presente, a Luísa é surpreendida, vista tapada por macias mãozitas transpiradas. Logo de seguida, olhos fixos na correria, sai-lhe a voz rouca de quem já não conversa desde o almoço. Mas repete com firmeza o nome da menina que entra pela porta da casa mesmo em frente:
— Francisquinha...!
A Francisquinha é filha única do agente da Guarda Fiscal, em serviço no posto fronteiriço, a uma boa hora e meia de caminho. Já sabe escrever o nome completo e para o ano fará parte de um grupo de crianças que, pela primeira vez, se sentarão nos bancos da escola nova, já construída.
A Luísa, precisamente dez anos mais velha, relembra a vinda da Francisquinha, ainda ao colo da mãe, quando o pai, o agente Figueiras foi transferido para estas paragens. Quatro anos passaram desde essa altura. Tanto tempo para a Luísa que aspira a fazer 18 e ainda faltam outros quatro. Uma eternidade!
Pouco falavam. Pouco diziam uma à outra. Acenos, risos e correrias eram as principais e quase únicas formas de comunicar entre as duas. A Luísa, apesar do seu ar sisudo, tinha um sorriso sempre especial para a menina, menina traquina, como também lhe chamava. Esta, por sua vez, desdobrava-se em brincadeiras, sempre à distância suficiente para que não lhe roubassem um beijo. Algo de misterioso parecia existir entre as duas. Apesar dos dez anos que as separavam em idade, havia nelas uma amizade grande, despercebida.

Nódoa de Abril

não há mês que a tire

Abril espiguil, vai a velha onde tem de ir e volta a dormir ao covil.

Nódoa de Abril, não há mês que a tire.

Na semana das ladainhas, não lances as tuas galinhas.

Dói-me

Dói-me ver desaparecer o Calhau da Pena

Dói-me ver desaparecer o Calhau da Pena, fraga “da cabeça“ dos Celtas, petouto dos sacrifícios e das imolações, ara de decapitação dos prisioneiros e do lançamento dos corpos para a corrente.

Dói-me que seja desmantelada a Ponte de arame de Lourido, ponte pêncil que os “Galinhas” de Codessoso, um dia, também desmantelaram, a mando da tropa de Amarante, para travar os de Vila Real.

Dói-me que seja arrasada a magnificência do Vau das Sete Fontes e do Vau dos Barões (entre Paradança e Arnoia) e toda a sua história inenarrável e que seja destruída a memória do assassinato praticado pelo “Quijo”, crime que o acabaria por sentenciar ao patíbulo, no ano de 1840, na qualidade de último enforcado da Vila Nova do Freixieiro e do Concelho de Celorico de Basto.

Dói-me que se esfume o arco Romano-Medieval de Vilar de Viando e o mítico lugar da Chavelha, braços de ligação, travessias sagradas e caminhos velhos do mundo, por onde Faros e Linceus, Bubalos, Equaesios e Souseus, Celtas, Nametanos, Romanos, Franceses e Peregrinos de Santiago deambularam e construíram os seus destinos. Dói-me que se afoguem as figuras humanas e pré-históricas e as carrancas dos celtas esculpidas nas fragas e nos patamares do romântico moinho e que se oculte, para todo o sempre a ara do Calhau Furado.

Dói-me que se desvaneça o culto de Apolo que marcou aquelas margens, o culto das travessias, e mais tarde o culto do Senhor da Ponte, em  honra do qual  se viria a construir (sobre o túmulo de um centurião romano) a encantadora capela, com o mesmo nome, engalanada com pinturas naif, para albergar o antiquíssimo cruzeiro de granito, famoso pelos milagres realizados, por promessa de um casal de moradores. Para montante da Ponte de Mondim os crimes continuarão e o lençol opaco e mal cheiroso abafará, sem apelo nem agravo, as margens idílicas por onde D.Nuno Álvares Pereira monteou veados e javalis, adestrando o seu exército pessoal para a batalha de Aljubarrota, destruirá a estrutura dos Sete Moinhos, cobrirá com um manto de vergonha a Fraga Amarela dos antigos cultos ancestrais, ameaçará os vestígios arqueológicos do Castro de Canedo e Castelo de São Mamede, alagará a Ribeira de Pedra Vedra, destruirá o Calhau dos Mouros e tapará a saída da lendária Mina do Monte dos Palhaços, que corre oito quilómetros desde o alto da Nossa Senhora da Graça para desembocar no Calhau do Furato (Pedra Furada) na margem esquerda do nosso Tâmega sagrado…

in Corre-me um Rio no Peito

Centro Cultural Regional de Vila Real

Para a história do CCRVR - Comissão Promotora

No dia 19 de Junho de 1979 realizou-se no edifício da Câmara Municipal de Vila Real (Biblioteca da Gulbenkian) uma reunião, na presença de representantes da SEC (Gabinete de Animação Cultural) em que estiveram algumas individualidades vilarealenses ligadas à acção cultural. Entendeu-se que uma associação das colectividades culturais do concelho de Vila Real daria bons resultados, por se congregarem esforços e experiências. Foi então eleita uma Comissão Promotora do que ainda se designava como Conselho Cultural. Essa comissão convidou todas as associações culturais do concelho de Vila Real para uma reunião de onde sairia a Comissão Instaladora.

Comissão Instaladora

Essa reunião efectuou-se no dia 14 de Julho, no mesmo local, com a presença de representantes de 14 associações. Concluiu-se da necessidade de criar um organismo coordenador dos grupos e foi eleita a Comissão Instaladora constituída por José Manuel da Costa Pereira, Carlos Augusto Coelho Pires, António Cabral, Rodrigo Botelho e Francisco Albuquerque, este técnico da SEC, em serviço em Vila Real.

António Cabral, in Notícias de Vila Real de 2004-11-10

O Centro Cultural Regional de Vila Real começou como sendo uma cooperativa de 205 sócios colectivos (associações culturais) e de 23 individuais. Este dado é de Setembro de 1988. Em 1980, o C.C.R.V.R. tinha 56 sócios colectivos e 22 individuais. Tomou forma legal em 5.11.1979, tendo havido para a sua constituição três reuniões preparatórias (após encontros de animadores culturais, que vinham já de Dezembro de 1978): uma, em 19.06.1979, na Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian, de que resultou uma comissão promotora, na presença de dois enviados da Secretaria de Estado da Cultura; outra, em 14.7.1979, no mesmo local, estando presentes 14 associações do concelho de Vila Real e sendo eleita a comissão Instaladora; e ainda outra, em 14.10.1979, no salão dos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública e Cruz Branca, em que participaram 14 associações, dentre as convidadas por todo o distrito de Vila Real, das quais 9 votaram favoravelmente a aprovação dos estatutos e do regulamento interno, fazendo ainda a eleição provisória dos corpos sociais, rectificada no dia 5 do mês seguinte. Naquela reunião a Comissão Organizadora dos I Jogos Populares Transmontanos dissolveu-se na estrutura do C.C.R.V.R. por unanimidade de votos.

A cooperativa já teve sede na Rua 31 de Janeiro, 41 - 1º (anterior morada de António Cabral); na Avenida de D. Dinis, Bloco A, 3º D; no Largo dos Freitas e está agora sediada em edifício próprio, num belo solar do século XIX, no Largo de S. Pedro, em Vila Real, adquirido em 1980 com verbas da S.E.C. e Fundação Gulbenkian.

 

in Os Jogos Populares, de António Cabral

Triângulo Luso-Galaico

Triângulo Luso-Galaico exaltado em Boticas

A bonita vila de Boticas acolheu dia 23 de Maio, uma boa meia centena de agentes da Cultura, da chamada região do Alto Tâmega. Um dia solarengo, com os montes a evidenciar as belezas arbóreas, na sua plenitude campesina, com gorjeios melódicos da passarada que se misturam com os ruídos dos tratores agrícolas numa simbiose de saudade, de enlevo e de perfume.

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