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ArteAzul-Atelier

 

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Livros e outras publicações
Ali na quinta do Vale, ao cimo da vessada,
Um ilustre Pinheiro Manso esperava,
Com os seus braços robustos, a chegada,
do amigo Pombo Bravo que voava, voava
e do céus descia... E assim dizia:

Homenagem ao escritor António Cabral

No dia 23 de outubro de 2017, décimo aniversário da sua partida para os céus, o escritor, poeta e ensaísta António Cabral foi mais uma vez homenageado pelo Grémio Literário Vila-Realense do Município de Vila Real, em sessão solene que consistiu na entrega do Prémio Literário 'António Cabral' 2017, sendo vencedor o original Sublimação da Matéria, da autoria de Nuno de Figueiredo; seguindo-se a apresentação do livro “In Memoriam de António Cabral” que reúne um conjunto de testemunhos de pessoas que, em diversas circunstâncias, conviveram de perto com o escritor.

Apresentação do livro «Mirandela Outros Falares»

A apresentação de um livro é para uns uma oportunidade de vender livros e para outros, em que eu me incluo, é um momento de festa.
Acho que nas apresentações só deve comprar o livro em questão quem gosta do tema, do conteúdo e do livro.
É dentro desta minha visão que convido os amigos e interessados a estarem presentes na apresentação do meu livro, «Mirandela Outros Falares», dia 14 de Outubro de 2017 (Sábado), pelas 21H00, na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Braga, na rua Simões de Almeida.

Apresentação do meu novo livro «Mirandela Outros Falares» na Torre

É com grande emoção que vou à linda vila Torre de Dona Chama, dia 15 de Agosto de 2017, pelas 15H30. Por um lado nunca sonhei ir à Torre em mensagem cultural e por outro é por ali que tenho muitas das minhas raízes. Se me permitem, acrescento um terceiro motivo que me orgulha: a autarquia da Torre Dona Chama está a preparar este evento cultural com todo o empenho porque é apanágio dos nossos vizinhos da Torre bem receberem.
Por isso, peço a todos que vão sem a mesquinhez dos movimentos autárquicos, porque um acto cultural tem de estar acima dessas visões individuais.

Dia da apresentação do livro “Mirandela, Outros Falares” de Jorge Lage

O mirandelense Jorge Lage, natural da aldeia de Chelas, apresentou no dia 3 de Agosto de 2017, em Mirandela, a sua mais recente publicação denominada “Mirandela, Outros Falares”.
Esta obra surge no seguimento dos sucessos anteriores alcançados por “Mirandelês” e “Falares de Mirandela” onde é retratada a mais genuína linguagem popular das terras transmontanas de Mirandela.

Livro: «A Virgem Santa Maria na Fé da Igreja»
do Cónego Silvério Pires

Estamos no ano do centenário das aparições ou visões da «Virgem Maria, Nossa Senhora», em Fátima e o ilustre mirandelense e Cónego Silvério Pires teve a feliz ideia de apresentar um volumoso e belo livro sobre a «Mãe de Jesus Cristo» ou de «Nossa Senhora». Mas quem é este autor mirandelense? O Cónego Silvério Pires nasceu em Miradezes e a vocação levou-o aos seminários diocesanos de S. José de Vinhais e de Bragança. Em 1965, com 24 anos, já era sacerdote. Licenciou-se em Direito Canónico pela Universidade Pontifícia de Salamanca e é uma referência canonista neste ramo do Direito. Foi Professor nos seminários da diocese (que corresponde a Professor Universitário).

Mirandela Outros Falares, de Jorge Lage

A apresentação do livro «Mirandela Outros Falares» de Jorge Lage ocorrerá no Auditório do Museu da Oliveira e do Azeite (entrada do lado do Parque Império, junto à Praça de Táxis) de Mirandela, dia 3 de Agosto, pelas 18H00. Um livro que interessa a toda a região trasmontana e alto duriense e beira trasmontana.
Quer saber o que pensa o escritor J. Rentes de Carvalho da língua portuguesa?
Quer descobrir de que raça bovina são os olhos mais belos?

Uvas Divinais de Valongo

Este ano a uva de mesa nos supermercados sempre se aproximou dos dois euros o quilo. Mas, a que o agricultor vende para vinho, tão boa ou melhor, rondou os vinte/vinte e cinco cêntimos. Dizem que não paga as caldas e o enxofre, quanto mais a poda, a baixada, as lavras, a descava, a redra e a despampa! Fui, mais uma vez, brindado com uma caixa de uvas divinais (capazes de fazerem inveja aos deuses do Olimpo) pelos amigos Lurdes e José Fernandes Costa. Que felicidade tenho sentido enquanto as vou comendo! Os meus amigos estão a dar-me um pouco do Céu na Terra! Eles nem sonham que para mim vale mais um bom produto da terra do que qualquer presente urbano! Porque é que a gente da cidade não procura os produtos locais do campo mais baratos e mais saudáveis? Metade da crise passava ao lado de todos nós.

Restaurante "A Adega"

Restaurante "A  Adega", Mirandela

O calor é mesmo assim, na Terra Quente - de rachar, ou lá como queiram chamar. No interior do restaurante, o ambiente, de frescura e limpeza, incólume aos ares domingueiros de turistas, passeantes na procura incessante de novidades e experiências capazes para boa vociferação à volta de outras mesas, é, tão só, o resultado da simplicidade, do brio e vontade de bem servir, de modo contrário à intrusão, apenas o suficiente para que todos se sintam bem entre uma tábua de queijo e presunto, naturais, puros, verdadeiros no gosto e no chamamento a uma pinga da casa que pelos modos inspira à qualidade, mesmo sem rótulo; e uma travessa de cabrito assado de textura ideal, batata, tudo muito bem condimentado, na boa medida para todos os sabores.

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Palavras para um dia de Bruxas

Sexta-feira, 13 de Maio

No dia da abertura do Ano Judicial, Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, fez um discurso memorável. Se ele me permitisse assinava esse discurso, como assinava outros que tem publicado, uma vez por mês. Mas não o de 8 do corrente, no JN.

Aí diz que «a dívida pública portuguesa é a mais elevada dos últimos 150 anos e é igual ao nosso produto interno bruto, enquanto a dívida externa é a maior dos últimos 120 anos».

No mesmo dia ouve-se Paulo Portas a dizer, na Madeira, que cada português deve dezassete mil euros. Marinho Pinto afirma na mesma fonte que «os fariseus do regime comparam a situação actual com a de antes do 25 de Abril para dizerem que estamos melhor».

O que não consigo entender é que Marinho Pinto, com a sua frontalidade e influência representando uma das mais importantes classes sócio-profissionais do país, insista em dizer publicamente que não vai votar nas próximas eleições, por motivos que apontou

no discurso que proferiu na cerimónia de abertura solene do novo ano judicial.

Já há dias registei as palavras de outro ídolo do processo revolucionário. Refiro-me a Otelo Saraiva de Carvalho que fez três afirmações bombásticas que vieram branquear todo o seu revolucionarismo. Numa dessas suas tiradas afirmou que se adivinhasse o que veio a acontecer, não teria feito o 25 de Abril. Disse mais: que Portugal precisava hoje de um homem inteligente e honesto como Salazar.

No mesmo dia em que Marinho Pinto reafirmou no JN que não irá votar, Francisco Louçã, apelou aos descontentes do CDS e do PSD que votem no Bloco de Esquerda. Que é o único que muda. No preciso dia em que Jerónimo de Sousa veio acusar Passos Coelho de que o programa do PSD é um aditamento ao mandato da Troika.

Escrevo esta crónica na noite de Domingo, 8 de Maio, após o regresso do meu pátrio Barroso, onde fui, com os onze casais que desde há sete anos confraternizam pelas redondezas do Castelo da Piconha que foi Português e que, actualmente, após o Tratado dos Limites, ficou em solo galego. Desta vez fomos piquenicar na Senhora da Vila de Abril, em S. Pedro, juntinho à Barragem de Sezelhe. Um lugar histórico e religioso que foi referência como lugar de repouso nos Caminhos de S. Tiago. Um Sábado invernoso, com chuva, vento e frio, a estragar os planos de quem sonhara viver uma tarde primaveril, ali bem perto do início do Túnel que leva a água do Cávado para a Barragem do Alto Rabagão. Entre 1962 e 1964, quem escreve esta crónica era fiscal da Hica e trabalhara em dois túneis: neste que vem buscar parte da água ao Cávado e que perfura a serra numa distância 4800 metros e naqueloutro que leva a água da Barragem de Pisões para a da Venda Nova. Já lá vão 48 anos! Tudo tão diferente, sendo tudo tão natural! A mesma aspereza, o mesmo clima, o mesmo tipo de pessoas. Boas de coração, cheias de bondade e de humanismo!

Mas tenho de concluir esta crónica escrita numa noite de futebol nocturno, com o Sporting a perder em «casa», em mais uma decepção para os seus simpatizantes. É a penúltima jornada. E por entre relatos radiofónicos e televisivos, releio Marinho Pinto, sigo os telejornais e registo uma salada russa, com palavreado decepcionante dos principais políticos que dizem todos o mesmo, embora por palavras desiguais e em trejeitos de quem sabe que pretende passar uma mensagem muito difícil de cumprir. A política assemelha-se a uma espécie de festival de bruxas, em que muitos acreditam, mas que ninguém as vê.

Há uma hierarquia de responsabilidade política que não deveria dizer coisas que o vento leva, mas que a memória regista. Marinho Pinto é um exemplo de figura pública que não deveria fazer a pedagogia contra o direito de votar. Andam uns, há 37 anos, a ensinar

as regras essenciais de democracia. E logo deparamos com os mais influentes, a devassar tão nobre direito cívico.

Tal como Otelo que pode ter sido sincero ao elogiar Salazar. Mas reduziu a pó, toda a fama que arrecadou ao longo de anos e que fez dele um mito que tem mais a ver com a bruxaria do que com a realidade. Tentei reler o discurso inflamado de Marinho Pinto em acto tão solene. Disse ele coisas, sérias, como estas: «a democracia herdou da ditadura um estado riquíssimo com centenas de toneladas de ouro no Banco de Portugal e com um gigantesco património imobiliário. O país recebeu, desde meados dos anos oitenta, avultados recursos financeiros da Europa que se traduziram em milhares e milhares de milhões de euros.

Que é feito daqueles vultuosos recursos financeiros? Que é feito da nossa agricultura? Que é feito das nossas pescas? Que é feito da antiga excelência das nossas universidades?

Parece que tudo se dissipou de repente. Como as bruxas que se evaporam com os agouros do Padre Fontes, na queimada que muitos provam entre guinchos de almas perdidas. Esta

noite assim foi, em Montalegre, mais para esquecer tristezas do que para levar a sério.

39 Anos Depois

25 de Abril

Portugal acorda mais tarde, ao som da Grândola, das bandas que dão melodia às vilas e aldeias, cheirando o perfume gasto de cravos que apodreceram. Passaram já 39 anos sobre a Revolução que, um dia, libertou Portugal de um poder violento, cinzento, feito de silêncios opostos e arbitrariedades chocantes. Um dia, creio eu, há-de fazer-se a história destes 39 anos e, temo, vai chegar-se à conclusão de que os ideais de Abril, os verdadeiros ideais de liberdade, igualdade e justiça, continuam por cumprir… Há 39 anos, Portugal sofria com uma guerra colonial que, acontecendo longe, matava a força deste país levando os jovens para um mundo de sangue e ódio de onde, muitas vezes, voltavam em caixões negros. Ao mesmo tempo, neste retângulo continental, vivia-se o medo e a violência. Escrever não era permitido, falar podia dar prisão e tortura, sonhar acontecia em segredo… Por tudo isto, penso eu, o 25 de Abril representou para nós, portugueses, um mundo de esperança, um renovar de vida com sentido e oportunidades.

Na euforia da Revolução, depois de nos garantirem que nos tinha sido dada a liberdade e a democracia (algo que eu penso que não se pode dar porque é de uma constante conquista que se trata), veio a Europa. Parecia tudo perfeito! Aboliam-se as fronteiras, criavam-se laços fraternos com inimigos históricos, os grandes ajudavam os fracos e pequenos e íamos todos viver bem e ser felizes. Já havia quem se imaginasse a viver, se não à grande e à francesa (porque o Luís XIV há muito tinha batido as botas), à grande e à alemã. Foi a festa! Tudo parecia possível, o dinheiro era barato, os sonhos pareciam realizáveis e a responsabilidade, tal como a democracia, pareciam valores eternos e seguros. Ninguém, nestes 39 anos, se preocupou em formar cidadãos ativos, conscientes e responsáveis, ninguém recuperou a autoridade, ninguém se preocupou em educar para a cidadania e para a verdade. Por isso, num instante os sonhos se desfizeram contra uma parede feita de realidade agreste e empedernida. Agora, 39 anos passados, tudo está em causa, o medo voltou, a insegurança é uma constante, as injustiças imperam. Agora, este mesmo país eternamente adiado volta a ouvir Zeca Afonso cantando a Grândola Vila Morena e o povo, seja lá essa entidade o que for, encara quotidianos de instabilidade, violência sobre as famílias, desemprego e fome. Hoje, nesta data que devia fazer sentido, eu sinto uma desilusão enorme, uma revolta que me dilacera. Não foi para viver assim que aconteceu a Revolução de 1974!. Eu, assumidamente mulher de opções políticas de direita, defensora da verdadeira democracia cristã, não consigo compreender o sistema político que vigora no meu país e que, enquanto me sufoca de impostos, permite que haja cidadãos a ganhar mais de três milhões de euros por ano. É obsceno, é imoral. Os políticos de hoje, governantes que, na sua maioria, da esquerda à direita, fizeram carreira no que os Partidos têm de pior, não me inspiram confiança. Sequer respeito! Hoje, 39 anos depois de ter acreditado na mudança e na construção de um país melhor, desejo uma nova revolução. Feita não de palavras, mas de atos. Não de promessas, mas de conquistas reais. Não de cravos, mas de construções de novos quotidianos.

Muitas vezes digo, mais ou menos brincando, que Poder e Podre se escrevem com as mesmas letras… Hoje, já nem acho graça a esta brincadeira! Estou cansada de um poder podre, farta de mentiras e de existências adiadas. Hoje, 39 anos depois de Abril, em vez de ouvir a Grândola apetece-me ouvir John Lennon e “Imagine” porque o sonho é mesmo só o que me resta…