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ArteAzul-Atelier

 

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Tantos provérbios e ditos populares

Novembro vem do latim «november»

Novembro vem do latim «november», por ser o nono mês do antigo calendário romano. Era com este mês que começava o novo ano do calendário celta, com as festividades do Samhain, a meio caminho entre o equinócio de Verão e o solstício de Inverno.

Outubro quente
traz o diabo no ventre

Arrebenta como uma castanha!

Outubro deriva do latim «October»,
por ser o oitavo mês do antigo calendário romano

A noz e a castanha é de quem a apanha.

a mentira dá a volta ao mundo

Não valer uma água de castanhas!
Quem se aluga no S. Miguel, não é senhor de si quando quer.
Enquanto a verdade aperta os sapatos, a mentira dá a volta ao mundo.

Setembro deriva do latim «september»

Setembro deriva do latim «september», por ser o sétimo mês do antigo calendário romano, que começava em Março.

Júlio (mais tarde Julho)

Júlio (mais tarde Julho); de início chamava-se «quintilis» (o 5.º mês). O Imperador Júlio César, quis ter o seu mês, passando a ser o sétimo mês do ano e o seu sucessor, Octávio Augusto, não se lhe quis ficar atrás e instituiu, também, o seu próprio mês ou de Augusto. Augusto, era «sextilis», o sexto mês, evoluindo para Agosto, o oitavo mês do ano.

«Juno», protectora da mulher e deusa do lar

Junho provém de «Iunius» porque os romanos dedicaram este mês à sua deusa «Juno», protectora da mulher e deusa do lar.

25 de Julho

O dia em que o rei faz anos

É das noticias mais gratificantes que posso dar a quem sempre teve orgulho em ser Português.

O nosso primeiro Rei que se chamou Afonso Henriques e que mereceu o cognome de O Conquistador, nasceu em 25 de Julho e, segundo a tradição, em 1111, em Guimarães.

Não vamos aqui recordar a pantominice histórica que, por causa deste nono centenário, o País inteiro viveu em 2009.

Desse assunto já algumas vezes aqui falei e, dia 25 próximo, espero anunciar aos Portugueses um novo livro a que chamei: D. Afonso Henriques – 900 anos (1111-2011).

Não vai ser um livro pacífico, sobretudo para a comunidade científica de história. Mas já se sabe que a crise não é apenas económica. Tem tentáculos e ramificações venenosas em todas as áreas da sociedade. A História leva a dianteira e como ela é capa de muitas gerações, é mais evidente.

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, já por diversas vezes, em actos públicos e em jornais (pois também foi jornalista antes de advogar), mexeu nesta ferida gangrenosa. Ela ameaça contagiar através desses tentáculos, as camadas mais jovens da população. Cada vez se sabe menos, à medida em que sobem as estatísticas, dos novos licenciados, mestres e doutores. Penso que já ultrapassámos os Brasileiros em número de canudos e de títulos académicos. Mas é inegável que quantos mais canudos, mais analfabetos, quando deveria dar-se o contrário: primeiro consolidar o saber, depois analisar as estatísticas, premiando o mérito.

Este livro que tenho o gosto de anunciar, aqui, em primeira mão, vai ao fundo do poço buscar o tesouro escondido. Quem me conhece sabe que não brinco com coisas sérias. Sobretudo quando a corrupção mexe com a História de Portugal.

Os jornais onde colaboro prezam os valores. São feitos e destinados a gente séria, gente que pode viver longe das grandes cidades. Mas  que dá mais do que recebe. Orgulho-me de pertencer a essa Gente e a essa Região. E é por isso que a maior parte dos meus leitores, já estranha que nos últimos tempos eu tenha suavizado o meu estilo, serenado os meus artigos, abrandando a voz.

Não mudei em nada, podem crer. Apenas me apercebi de que já não usufruo de alguns (poucos) predicados de que gozava quando me fiz à vida, a trabalhar na Barragem de Pisões, para sobreviver. A treinar nos Rangers para servir a Pátria. A voltar à escola aos 42, aos 56 e aos  65 anos. Nisto não me considero velho, porque se deve aprender até morrer. 

Aos 72 anos começo a olhar para trás e reparo que o  país está povoado de parasitas, de falsos talentos, de mercantilistas da história e de outras ciências. Falo em História porque vivo muito desiludido com alguns daqueles que fazem carreira para ensinar e que chegam ao topo e viram comerciantes de cátedra almofadada. Tive por essa gente um enorme respeito. Mas venho-o perdendo, porque quando a crise alastra e se generaliza, só os mafiosos se salvam, porque como sempre viveram sem produzir, como sempre dividiram para reinar, são os vencedores absolutos, chegando por demérito, onde os envergonhados não tiveram coragem de chegar, em respeito pelos outros. E é tão bonito respeitar quem merece ser respeitado...

Em 2009 travei um escândalo nacional nos domínios da História. Criei muitos inimigos de cátedra almofadada. O livro que irei apresentar nesse dia Histórico, ou me vai devolver alguma dignidade ou me vai crucificar no cadafalso da Historiografia Portuguesa.

Antes desse dia apetece-me convidar todos os Portugueses que têm orgulho no seu País, vivam dentro ou vivam fora, que reflictam no abandalhamento da História de Portugal. A Língua que era tão difícil de aprender, mas que constituía o nosso orgulho, anda hoje mais esfarrapada do que capa de pedinte, como afirmou Rodrigues Lobo, se não estou em erro. A História diluiu-se como a espuma da praia, porque deixámos de ter heróis para termos ladrões em cada esquina. A competência deixou de ser virtude por troca com a corrupção, o golpismo e a charlatanice.

Dia 25 deste mês temos boas razões para retemperar forças: Afonso Henriques faria 900 anos se ainda por cá andasse. E ele, que aos 28 anos de idade, venceu cinco Reis Mouros na Batalha de Ourique, precisamente no dia 25 de Julho de 1139,  em que se proclamou Rei de Portugal, usaria a sua espada de Conquistador para refundar e varrer todo o lixo que entupiu as sarjetas da nossa historiografia colectiva.

Espero que mesmo em cima da hora, o governo se lembre desta data, duplamente rica em lições de grandeza moral. Há quem nos coloque no rating do lixo. Mas lixo são esses estranhos que não conhecem a História deste País. Temos 900 anos de História exemplar. A cultura está entregue a dois Transmontanos: Passos Coelho e Francisco José Viegas. Não sou pessoa de cunhas, mas peço-lhes que mesmo tarde e, simbolicamente, lembrem aos Portugueses o significado do próximo dia 25. Bastaria que nas escolas  se falasse aos alunos dos 900 anos do nascimento daquele que fez desta Terra um País que chegou a ser um Império e que, no mesmo dia de 1139, ele próprio se aclamou Rei de Portugal, na Batalha de Ourique, vencendo cinco reis mouros.

O Jogo Popular

(Apontamento psicossociológico)

"O jogo consiste em transformar um meio num fim em si mesmo" - disse Piaget. Isso acontece com o jogo infantil. No seu 4º estádio de desenvolvimento, entre os 8 e 12 meses (período sensório-motor) a criança aprende a separar os meios dos fins e o jogo surge. Por exemplo: uma bola com que brinca escapa-se para trás dum obstáculo; antes, fora do alcance visual, não a procurava, mas agora sim. Ultrapassar o obstáculo é o meio a que pode achar graça. Se o converte num fim, aparece o jogo.

O mesmo sucede com o jogo popular. O homem, que lança fora do campo onde trabalha a pedra que o estorva, pode converter o lançamento num fim em si mesmo e assim nasce o jogo do Malhão. Isso quer já dizer que os jogos populares se ligam ao trabalho, à experiência rural: são vivência e prazer. Claro que derivam ulteriormente para a exibição e competição, mas sem corte do cordão umbilical que continhua a ligá-los à vida do campo, o que já não acontece com jogos mais refinados, de alta competição, onde aquela ligação se perdeu. A simplicidade e a rudeza de processos mantêm-se no jogo popular, enquanto no jogo de alta competição o fim que era o prazer voltou a ser meio - de atingir fama, fortuna, etc. Até nos "jogos sem fronteiras" a diferença é visível: estes partem da mente para a realidade, embora mais ou menos apoiados nesta; os jogos populares partem da realidade para a realidade.

António Cabral, in Jogos Populares Transmontanos, 1980

Cestaria

Cestas da merenda

Trás-os-Montes e Alto Douro apresenta-se-nos como uma área de ruralidade acentuada, onde as lides campestres fazem parte da rotina das suas gentes. É assim que este povo desenvolve uma veia artística, fundamentada na necessidade de dar resposta às exigências do quotidiano.

O cesteiro e o cesto são habituais neste contexto rural, não tanto como em outros tempos não muito distantes, em que, nas vindimas, os cestos eram utilizados no transporte das uvas para as dornas.

Destaquem-se também as "cestas da merenda". Ainda hoje, elas comportam as refeições, consumidas pelos trabalhadores rurais, levadas ritualmente a meio da manhã e ao almoço.

Crepúsculo

Prémio Nacional de Poesia Fernão de Magalhães Gonçalves

Autor: Nuno de Figueiredo

Capa - Espiga

crepúsculo rumor serenidade
tempo solidão melancolia

«Eram três as palavras que me amavam, crepúsculo rumor serenidade, e de súbito vieram de algum lado as palavras tempo solidão melancolia, e juntaram-se depois outras palavras desencanto saudade antigamente: e de todas as coisas fiquei livre

Até que de um canto veio uma alegria feita de múltiplas palavras, consolação e belo, vida e luz, e o outono tornou-se primavera e a noite dia, e assim, conciliado com a terra, vivo agora feliz de coração na mão

À beira do inverno um pássaro cantava, o seu canto era azul, e o sol oblíquo abria uma clareira entre os ramos das árvores desfolhadas, e o mundo exíguo ampliava-se e nada estava fora e tudo estava dentro»