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ArteAzul-Atelier

 

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Em ano de muito ouriço não faças caniço

Em ano de muito ouriço não faças caniço.

Novembro vem do latim «november»

Novembro vem do latim «november», por ser o nono mês do antigo calendário romano. Era com este mês que começava o novo ano do calendário celta, com as festividades do Samhain, a meio caminho entre o equinócio de Verão e o solstício de Inverno.

Outubro quente
traz o diabo no ventre

Arrebenta como uma castanha!

Outubro deriva do latim «October»,
por ser o oitavo mês do antigo calendário romano

A noz e a castanha é de quem a apanha.

a mentira dá a volta ao mundo

Não valer uma água de castanhas!
Quem se aluga no S. Miguel, não é senhor de si quando quer.
Enquanto a verdade aperta os sapatos, a mentira dá a volta ao mundo.

Setembro deriva do latim «september»

Setembro deriva do latim «september», por ser o sétimo mês do antigo calendário romano, que começava em Março.

Júlio (mais tarde Julho)

Júlio (mais tarde Julho); de início chamava-se «quintilis» (o 5.º mês). O Imperador Júlio César, quis ter o seu mês, passando a ser o sétimo mês do ano e o seu sucessor, Octávio Augusto, não se lhe quis ficar atrás e instituiu, também, o seu próprio mês ou de Augusto. Augusto, era «sextilis», o sexto mês, evoluindo para Agosto, o oitavo mês do ano.

Artur Maria Afonso

Artur Maria Afonso - o maior poeta Barrosão

Em 20 de Fevereiro de 1909 publicou Artur Maria Afonso o seu 1º livro de poemas. Completa agora 101 anos. Esse livro chamou-se Alvoradas e foi dedicado ao Conselheiro António Teixeira de Sousa ( 1857-1917 ). Quem foram estes ilustres Transmontanos?

Por vezes falamos muito dos vivos. Mas esquecemos os mortos. E, contudo, foram eles as bússolas dos caminhos que hoje trilhamos. Quanto mais avançamos nas modernidades do tempo, mais gosto de reler os grandes clássicos, cujas melodias enchiam o corpo e a alma.

Invoco este Barrosão que nasceu na sua casa da Corujeira, Montalegre, em 17 de Março de 1882. Foi criado em Santo André, com uns tios que o prepararam o melhor que puderam e o levaram a Braga, para fazer a 4ª classe que era um feito raro para o tempo. Logo a seguir, foi colocado, como aspirante de Finanças, na vila e ao mesmo tempo, percorrendo 5 km, a pé, para cada lado, foi professor em Cambezes do Rio.

Em 1905, foi transferido para Chaves, igualmente para as Finanças e aí casou com Palmira Rodrigues, natural de Sapelos, concelho de Boticas. Ela era filha do Major Augusto Rodrigues e de Felisbina Rua, que tinha 3 irmãos, um dos quais médico. Este médico teve uma filha (Maria Helena Vilhena Rodrigues) que foi casada com o dirigente político Guineense, Amílcar Cabral.

Do casamento de Artur Maria Afonso com Palmira Rodrigues, nasceram 3 filhos: O professor Lereno, o Arqtº. Nadir, mais conhecido por pintor e a Palmira de Fátima, docente do ensino secundário.

Com apenas 18 anos, criou o Jovem Artur o jornal O Barrosão (quinzenário republicano, literário e noticioso) do qual saíram 19 números. Tinha a redacção da Rua da Corujeira, (Portela), em Montalegre, onde o seu fundador e director exercitou a poesia e a prosa, que mais tarde viria a publicar, parcialmente em «Alvoradas», que foi impresso em Famalicão, em 20/2/1909, com 126 páginas. Em 1942, voltou com Boninas de Chaves, com 194 páginas. Dois livros que marcam pela qualidade formal e pelo telurismo que faz vibrar os leitores.

Em 1982, para assinalar os cem anos do seu nascimento, os três filhos convidaram o signatário para organizar o volume «Orações ao Vento» que prefaciámos e que nos motivou a propor às três Câmaras que partilharam dos sortilégios da Família (Montalegre, Chaves e Boticas) a perpetuarem o nome deste notável poeta de Barroso na toponímica local. Todas responderam e corresponderam à nossa proposta. E honraram os méritos de um casal que cumpriu um triângulo sentimental nos três concelhos, ligados geográfica e familiarmente.

A Câmara de Chaves, em 1993, assumiu a edição de mais um inédito de Artur Maria Afonso: «A Terra dos Meus Amores!» que igualmente prefaciámos e que o filho Nadir Afonso enriqueceu com catorze reproduções a cores.

Enquanto Lereno Afonso foi vivo manteve connosco um permanente diálogo. Tinha-nos sugerido  a organização de mais um volume inédito: Auras Perfumadas, igualmente em poesia. Infelizmente soubemos (só agora), que tinha falecido. Ignoramos em que data. Foi um Flaviense que sempre teve enorme orgulho das suas origens. Conservamos dele várias cartas manuscritas onde nos incute persistência e ânimo para continuar a luta pela defesa da Região. Que descanse em paz!

A obra de Nadir respira transmontanismo por cada pincelada.

Da Palmira de Fátima não temos notícia, sempre viveu na área da grande Lisboa, onde também vive o mais renomado dos três filhos de Artur Maria Afonso. Ignoramos se Auras Perfumadas e outra poesia inédita sua, continuam com paradeiro certo e seguro. Importante seria reunir essa produção literária, num ou mais volumes, proporcionando-a às escolas e bibliotecas dos três concelhos do Alto Tâmega. Diz-nos a tradição, que Barroso apenas acaba na Ponte Romana de Chaves. É uma região extensíssima e com características únicas. Sempre os executivos municipais se entenderam bem. Não têm a mesma orientação ideológica. Mas há boas razões para que esse entendimento prossiga e dele se obtenham mais e melhores estruturas socioculturais.

A família deste escritor Barrosão, poderia inspirar um centro triangular de estudos, onde se privilegiasse o espólio literário e artístico daqueles que se notabilizaram na investigação, nas artes, nas letras, no artesanato, na olaria (Vilar de Nantes), na Arqueologia, na antropologia, em tudo o que esta zona é ímpar. Um Centro Cultural, que fizesse contra-ponto com a Galiza, beneficiando do termalismo, da gastronomia, da ruralidade, do clima, da orografia, de tanta coisa a explorar…

Todos os concelhos têm progredido em várias áreas virgens, como as feiras do fumeiro, do presunto, do folar, do mel, da castanha. Dos Congressos de Vilar de Perdizes e das «Sextas –Feiras 13». Reavivar as vias romanas, estabelecer as suas variantes; escavar castros, antas, mouras, aras pagãs, mitologias, divindades. Tanta coisa caberia num Centro Cultural que resultasse do esforço conjugado dos municípios que foram comuns e que estão administrativamente, separados, quando a experiência demonstra que é pela exploração deste tipo de estruturas que passa a fixação das pessoas  e se gera o desenvolvimento das zonas desertificadas.

Pão com Nozes

Pão com Nozes, uma delícia dos deuses

« - É muito bom, pão com nozes!

- Já comeste?

- Não, mas vi comer. »

 

É na verdade uma delícia dos deuses este manjar! Nós dois costumávamos comê-las como sobremesa nas noites de inverno. Eu não prescindia do pão. Britá-las com brita-nozes de madeira fazia parte do ritual.

- Hei-de mandar-te um brita-nozes - disse-me um dia, década de cinquenta, uma tia enquanto preparava as malas que a acompanhariam até ao Rio de Janeiro, onde continua  a cuidar das suas plantas. Bailes? Agora…, só os da memória.

Nozes... fruto sofisticado! Nozes... figos com nozes, compota de abóbora com noz, tarte de noz, bolo de noz, recheio de noz, broinhas de noz, saladas com noz, biscoitos de noz, sorvete de noz.... Que prazeres nos proporciona este fruto delicado e pequenino! Embora caindo de alturas, quantas vezes monumentais, a sua caixa rígida, toda maternal, defende-o de qualquer dano. São sonhos que se desprendem sacudidos pelo sol e pelo vento. Contudo não se desfazem. Alimentam o corpo e a alma. Por amor, serviram-lhe a ele de sustento exclusivo com pão, durante um ano. A minha homenagem.

Não te envaideças

Repara no que fazes

Não te envaideças do que sabes, e repara sempre no que fazes.

O Barco Rabelo

Rio Douro

Um dos traços mais distintos do norte de Portugal e que realça a beleza da paisagem é o rio Douro. Até finais do século XVIII, só era possível navegá-lo entre a foz e o Cachão da Valeira, onde o rio, desnivelado, era apertado pelas rochas abruptas nas suas margens. 

O rio Douro foi, durante muitos anos, a via mais rápida de transporte de vinho generoso para a margem oposta à cidade do Porto - zona ribeirinha de Vila Nova de Gaia, onde se fazia e ainda hoje se faz o armazenamento e o envelhecimento do precioso néctar. Esse transporte era feito pelos barcos rabelos, embarcações à vela em que, dependendo do seu porte, eram necessários entre dois a dez homens para manobrá-lo.