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ArteAzul-Atelier

 

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ficamos impotentes ao ver Aldeias e Vilas praticamente “desertas”

“«... O regabofe começou no mesmo dia em que o 25 de Abril encerrou portas e janelas. Trinta e oito anos depois do que foi a grande promessa, apenas resta a rabugice de quem envelheceu...» dizia-nos isto Baptista Bastos, Escritor, Jornalista, Crítico Literário, e eu acrescento que realmente, “Quando um homem velho morre, enterramos não só um livro mas uma biblioteca individual completa”! 

Segundo o Meu Amigo Dr. António Justo, Emigrante Ilustre lá na terra dos “Fritz”, ...(data vênia, citamos)

Nos anos oitenta e noventa a Alemanha seguiu uma política de fortalecer as grandes empresas nacionais para estarem preparadas para o combate económico da globalização; essa política revelou-se nacionalmente inteligente por dar resposta ao grande problema da concorrência com os países emergentes e a fortaleza da sua indústria atrair imigrantes técnicos que compensam a falta de mão-de-obra devida à baixa natalidade.

(fim de citação)

Em Portugal o problema da natalidade é algo desesperador e ficamos impotentes ao ver Aldeias e Vilas praticamente “desertas” quase todas situadas nos mais recônditos lugares, onde o progresso não chegou, ou se lá aportou foi, em doses de conta-gotas – principalmente nas nossas saudosas Terras Altas Transmontanas e Beirãs além das Charnecas Alentejanas para só falarmos das regiões mais contribuintes do contingente empurrado para a Emigração, cujos usos e costumes se perdem inexoravelmente na poeira do tempo.

Este tratamento recebido do poder central, com base na ideologia socialista do pós 25 de Abriu-looooooo... o gógò, para cantar o êxito (quase me foge a boca para a verdadeira palavra do “Êxodo” Luz & Tano) “grande ola Vi Lá Morena...terra da falsa produtividade”  foi assim uma espécie de tratamento homeopático no sentido inverso; onde não se morre da maleita, mas definha-se pela falta de remédio caseiro para a cura do envelhecimento precoce!...

Por princípio lógico e étnico, o remédio natural deve ser aplicado de acordo com a natureza e o paciente deve repousar no seu ambiente original, sem qualquer tipo de “tá-te-bi-ta-tes”!...

Não adianta procurar azedas nas brechas das paredes de pedra dos caminhos das veredas, para fazer uma salada temperada com azeite da casa feito no lagar, guardado numa cantarinha de latão, na Adega ao lado do tonel de Carvalho durante um ano todo,  como nos anos da fome, após a segunda guerra que assolou o mundo!...

Por outras palavras não adianta ter muitos “euros” porque a lei da morte não quer nem saber da cor do dinheiro!...  e como não há mais “escudos” para proteger a saúde e o sonho, então lá se vai a caminho da “estranja”.

- Uma terra estranha cada vez menos estrangeira por força cineticamente imprimida pela vontade dos homens e máquinas e contrariada pela própria natureza.

- Na ânsia da aventura cada vez mais jovem, na agonia de ter que ter para dar, e não ter o que ter nem para comer!... O “povo” como agremiação social familiar milenar ele se esvai a caminho da emigração!

Vamos todos às cegas, e não raras vezes induzidos pelas verdadeiras “cègádas” que os donos do “poleiro” conduzem o rebanho  em busca de melhores perspectivas de vida e, ultimamente, quase numa linha limite da sobrevivência digna como seres humanos.

Escrever sobre emigração de dentro para fora era, para nós, anos atrás... algo que nos trazia esperança em dias melhores, e assim se acreditava ao poupar um pouco do arrebanhado da semana, do mês, do semestre, da contrata de inverno ou de verão para depois vir à origem e tentar refazer a vida para cumprir o ciclo vicioso de nascer, crescer, viver e morrer!... Hoje não é bem assim.

Hoje só me apetece repetir os versos deste Fado de Coimbra, magistralmente cantado pelo Meu Dilecto Amigo Dr. Álvaro de Jesus, que reza assim:

 

Ao morrer os olhos dizem, 
Para a morte, espera aí!
Vida não vás tão depressa 
Que eu inda te não vivi! 
 
A vida vai e a morte, 
É quem responde em vez dela. 
- Mas que culpa tem a vida, 
Se te não sabem vivê-la!?

 

Dedico esta crônica aos  meus amigos e conterrâneos, emigrantes ou não, naturais de Caravelas do Concelho de Mirandela.

Abraço fraterno Transmontano com votos para que tenhamos todos um BOM ANO que agora começa.

Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal (Brasil)

Cheiro a rolha

Vinho e o cheiro a rolha 

Quando, no restaurante, nos dão o vinho a provar, não se trata apenas de uma mera formalidade ou ritual. Não pondo em causa a qualidade dos vinhos de mesa, pode acontecer em uma ou outra garrafa, o vinho estar impróprio para consumo. Uma das principais causas que poderá adulterar o vinho é a má qualidade da cortiça que deu origem a determinada rolha. O "cheiro a rolha", expressão utilizada para justificar, muitas vezes, um vinho deteriorado aquando da abertura da garrafa, resulta de uma contaminação que pode ocorrer durante o fabrico da rolha. Esta contaminação pode acontecer mesmo nas rolhas resultantes de cortiça de óptima qualidade, sendo essa possibilidade, neste caso, muito reduzida.

Quando se abre uma garrafa de vinho e a rolha se desfaz, não significa que esse vinho tenha o tal "cheiro a rolha" ou esteja inevitavelmente estragado. Nesse caso deve decantar-se o vinho, processo pelo qual se separam as impurezas do líquido, utilizando um funil próprio ou um simples pano.

Terras de Mondim de Basto

O concelho de Mondim de Basto estende-se por uma área de 174 Km ², englobando 8 Freguesias: Atei, Bilhó, Campanhó, Ermelo, Mondim, Paradança, Pardelhas e Vilar de Ferreiros.

Actualmente a população do Concelho ronda os 11 000 habitantes, localizando-se cerca de metade, na Freguesia sede de Mondim de Basto.

O concelho assenta no maciço montanhoso entre as serras do Alvão e do Marão e é banhado pelos Rios Tâmega, Olo e Cabril.

A Vila de Mondim repousa numa chã fértil na margem esquerda do Rio Tâmega e no sopé do Monte Farinha.

 

in Ficha Técnica - Edição da Câmara Municipal de Mondim de Basto

 

Coordenação: Alfredo Pinto Coelho

Selecção de textos: Luís Jales de Oliveira, Alfredo Pinto Coelho

Fotografia: Manuel Matos, Nélson Palmeira, Carlos Costa

Chouriças Doces e Sangueiras

Depois da ceba morta, são as chouriças doces as primeiras a serem feitas e aproveita-se o sangue da ceba, a que se junta o trigo partido às fatias finas, o mel e a canela. Estas são as chouriças doces ou chouriças de sangue, pelas quais eu suspirava em criança e ainda hoje me consolam a alma.

Logo que o reco é desfeito, isto é, depois das carnes bem escorridas, seguem as alheiras da abundância e da poupança. Com pouca despesa faz-se um prato divinal e com calorias para mourejar um dia de trabalho.

Na corda de Lomba e prosseguindo em Terras de Monforte de Rio Livre, as chouriças doces dão o lugar às sangueiras ou chouriças de sangue ou verdes. Entre as chouriças doces e as sangueiras, a ausência de mel ou açúcar é o elemento que mais as diversifica.

Em Mirandela nunca ouvi chamar-lhe morcelas. Morcelas de arroz comi-as no tempo de estudante em Leiria e pareciam-me esquisitas, porque na minha alma mais recôndita as chouriças doces tinham um lugar insubstituível, selado pelo traço que me ligou sempre à minha mãe. Como colocava a caldeira de cobre em cima da esteira ou da rodilha, junto ao brasaredo da lareira, como os trigos enormes se iam transformando em alongadas fatias, depois a calda do mel (e canela) vindo da serra da Padrela transformava nas sopas doces e que eu comia como um manjar dos deuses. Pelo menos de um deus de amor.

As sopas eram sempre retiradas da caldeira para uma malga de gemalte. O pior momento era quando as sopas doces da caldeira eram regadas com calda do sangue. Acabava-se, por algum tempo, o que era bom. Mas quando secavam e se comia uma, nem que fosse um reizinho, a acompanhar uns espigos cozidos com batatas, deixavam-me consolado. Este pequeno texto nasceu para dizer que devemos chamar às coisas pelo seu nome. Em Leiria ou no Centro do país nunca me atreveria a chamar às morcelas sangueiras ou chouriças de sangue, porque ali o nome é outro. Já viram o que era confundirmos os famosos pastéis de Chaves com os divinais pastéis de Belém? Mas, não há chouriças doces como as que se fazem de um modo tradicional em Mirandela.

Portugal

Dia de Portugal

Vens de longe e tens no peito o teu passado,
Cheio de lutas, missões, feitos e glória.
De quantos com bravura fizeram a tua História,
E agora repousam no teu chão sagrado.

Homens e mulheres, marinheiros e poetas,
Que zarparam de um rio para vencer o mar.
Em frágeis barcaças que o vento fez voar,
Num mundo desconhecido, de portas abertas,

Para dizerem a outras gentes, a outras raças,
Que traziam com eles não só a cruz de Cristo,
Mas também afiadas espadas nas barcaças.

Quando aportavam a outros portos, noutros cais,
Onde semearam genes e crenças de Portugal,
E agora jazem em ti veros heróis imortais.

João de Deus Rodrigues