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ArteAzul-Atelier

 

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Faróis de Cultura e de Amor às Origens

É certo e sabido, quase como ditado popular, que os Transmontanos, nasçam onde nascerem e cheguem onde a necessidade e a aventura os leve, dão sinais de vida e criam laços de fraternidade que a distância amadurece e conserva, mais do que qualquer outro povo. A lei da vida ensinou-nos que a «necessidade cria o órgão». E que as pessoas mais simples, mais sérias e mais solidárias são aquelas que nascem rodeadas de fragilidades sociais, porque não estranham pela vida fora os males que lhes surjam pela frente. Se venceram, desde o berço, essas contrariedades; se tarde e mal conheceram os luxos e exuberâncias da cidade; se calejaram as mãos em criança e adormeceram com o estômago vazio, quando precisavam de crescer, têm sobre os outros a quem nada faltou, uma enorme vantagem: nada os assusta porque chegaram à vida adulta com uma experiência que constitui o seu melhor dote.

Não é de estranhar que nos confins de qualquer continente, no matagal do Amazonas ou nos sítios mais recônditos do planeta, quando menos se espere, apareça um Transmontano que se fez à vida. Não partiu por medo, por roubo ou por crime de sangue. Talvez tenha partido em busca do pão que não teve e lhe fazia falta para ser homem sério, honesto, competente e solidário. Foram esses que chegaram ao Brasil e construíram impérios; chegaram a Macau e ergueram liceus e catedrais, chegaram a Angola e Moçambique e impuseram a sua cultura.

A Diáspora migratória é riquíssima em exemplos desses que temos um pouco pela Europa, pelas Américas, pela África e até pela Ásia.

No pequeno rectângulo Ibérico somos poucos e até o espaço mal chega para cobrir o esqueleto de todos. Mas no espaço virtual da Lusofonia esses poucos continuam a dar exemplos de altruísmo, de nobreza telúrica, de solidariedade genuína.

Em Lisboa, há pouco mais de um século nasceu a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro que teve altos e baixos, reflectindo as crises sociais. Nem parece que já passaram tantos anos. Por ocasião do seu I centenário gerou-se um movimento tendente a construir sede própria, na Zona de Belém, facto que entretanto sofreu contratempos. Mas a dinâmica associativa mantém-se viva, como em 1905, com actividades que fazem dela uma espécie de Embaixada da Província que representa, assinalando todas as festividades populares, promovendo eventos culturais e criativos de Transmontanos e Alto-durienses que ali aportam e por ali se radicam sem esquecerem as origens. A Casa publica um Jornal Mensal que leva a todos os ausentes o eco de quanto ali se faz de útil pela Terra e pelos seus patrícios.

Dia 31 do corrente vai decorrer o acto eleitoral para o próximo triénio (2011-2013).

É mandatário dessa Lista (única = sinal de unidade) o Barrosão António Chaves. À Assembleia Geral continuará a presidir o Prof. António Guilhermino Pires, à Direcção, o Doutor Jorge António Valadares e ao Conselho Fiscal o Dr. Daniel Justino Santos. Com raras excepções os membros que já fizeram parte dos órgãos sociais anteriores, se manterão em funções, firmes na vontade de cumprirem os grandes desígnios dessa centenária Instituição regionalista.

Também na Casa de Trás-os-Montes de Guimarães, dia 19 decorreram eleições. Mas como não tem sede própria a cada vez há menos sócios, é sombrio o seu futuro como associação. Já Braga teve sócios que arriscaram em adquirir a sede que sempre ocuparam e também aí as actividades regionalistas, nomeadamente o apoio aos criativos e aos eventos comerciais dos produtos gastronómicos e afins, são promovidos como sempre foi o Caso da Câmara de Montalegre que é o concelho mais próximo e sempre aí fez prova dos produtos, do fumeiro e do presunto. Do mesmo modo a Casa Regional dos Transmontanos e Alto-durienses do Porto, que foi fundada há 26 anos e que sempre foi linha avançada das Câmaras que apostaram em vir junto das televisões, das rádios nacionais e da imprensa diária, já que eles não iam à Província, viram os seus esforços coroados de êxito. Quem nessa possibilidade apostou, ganhou a aposta:

Montalegre, Vinhais, Valpaços, Vila Flor, Murça. Os Barrosões já se dão ao luxo de terem público a mais para o produto que ao terceiro dia está quase esgotado e que ao quarto dia muito poucos conseguem regressar servidos. Tudo graças às exigências qualitativas da fabricação. «A Feira do pecado» como o Vice-Presidente Orlando Alves, pioneiro do certame, desde há muito chama a esta Feira, transformou-se numa jornada de salvação económica para a Região de Barroso.

A vila criou estruturas polivalentes, as exigências técnicas são irrepreensíveis e este ano a Câmara até dispensou aos produtores o pagamento do espaço, gesto que enobrece os políticos, auxilia os lavradores e serve de exemplo a outras entidades, em tempo de crise aguda que começa por atingir os mais débeis.

Quando as autarquias, as casas regionais, a informação e os técnicos conjugam esforços em função dos mais carenciados, a crise passa ao lado e todos ganham. Vinhais e Valpaços são mais duas Câmaras experimentadas. Saber aproveitar as estruturas espalhadas pelo país fora, para dar a conhecer os produtos de cada terra, é um serviço que compete às Casas Regionais.

Os exemplos que ficam são expressivos. Por isso todos merecem palmas.

Os Narros

Quem são os Narros?

Pela proximidade de uma localidade os vizinhos tendem sempre a arcar ou a ser confundidos, pelos que estão de fora.

Em Valência ao ouvirem-me falar, disseram-me que eu era Galego. Até sou de perto e até o meu amigo José Posada, grande referência na indústria da castanha, diz que eu sou «Galego do Sul». No Litoral Centro chegam a dizer-nos que somos Espanhóis, pelo simples facto de ficarmos perto da fronteira. 

Também a família mesmo que afastada acaba toda por «herdar» a mesma alcunha ou o epíteto. Mesmo que se queira negar, aparece logo quem diga: - É rescendido de…

Vem isto a propósito de quem são os «Narros» ou mais depreciativamente os «Nharros»?

Depois de muita consulta, investigação e pesquisa para o livro «Mirandelês», chegámos à conclusão que, em tempos recuados, os «Narros» seriam os humildes artesãos de metais dos subúrbios do casco velho de Bragança, hoje bem integrados na cidade.

 

O Dicionário de Espanhol-Português refere «narria» como uma mulher gorda (geralmente os narros, tinham as mulheres abonadas, porque o trabalho delas era mínimo, comparado com as camponesas).

Narros são os vizinhos de Bragança que habitam os povoados de «Narros de Mantalayegua» e do «Camino de Narros a Sancogomez» de Zamora. Relativamente perto dos brigantinos (bem mais perto do que de Mirandela ou Vila Real) fica «Carretera de Narros a Solana» de Solana de Ávila. Há o «Paseo de San Juan de Narros» – Soria e «Carretera de Narros a Suellacabras» - Soria.

Pensamos que a cor negra ou escura da pele devido à origem, acrescido da profissão que os trazia escuros com a fuligem e a falta de hábitos de higiene tenha ditado esta alcunha de alguns habitantes de Bragança. O maior dicionarista português do século XX, José Pedro Machado, no seu mais volumoso dicionário assim os definiu e que referenciamos na obra «Mirandelês».

Há ainda, dentro desta linha, na primeira metade do século XX, uma quantidade de latoeiros das cercanias de Bragança, como profissão nómada desciam até à Terra Quente à procura de trabalho e sustento e voltavam à terra de origem. Estes latoeiros passavam, de tempos a tempos, na minha aldeia e consertavam as alfaias de lata, alumínio, cobre ou zinco, regressando à terra de origem.

É com fundamento o facto de o mesmo dicionarista no seu Grande Dicionário de Língua Portuguesa dizer que «narro» é o nome porque eram conhecidos os gatos e cães pretos e por arrastamento os homens de tez escura ou que andam enfarruscados, sendo os latoeiros (de Bragança) alguns dos quais quase não conheciam a àgua. A corroborar esta tese é a de que á água não era (e não é) em demasia no Sabor e quando a havia, estava de acesso mais difícil do que a do rio Tua na zona de Mirandela.

Outra versão, mais aligeirada, sustentada pelo meio estudantil bragançano, em meados do século passado, era de que o comboio narrou (parou) em Bragança e não seguiu mais para a frente, daí e as gentes da margem do Sabor acomodavam-se.

Quando havia água com abundância em Bragança esta estava muito fria e no tempo mais quente nunca foi em demasia. A constatação dos Narros espanhóis, por serem vizinhos e dos artesãos enfarruscados tudo tende para Bragança e não para «o Poço do Azeite».

 

Assim, no livro «Mirandelês», depois de algumas aturadas e prolongadas investigações refere-se que «Narros» é a alcunha das gentes de Bragança. E aqui, como o fizemos noutros locais do «Mirandelês», corrigimos o douto e ilustríssimo Abade de Baçal, que devia fundamentar ou explicar mais, pelo menos, quando se refere a Mirandela e seu termo. A alcunha dos bragançanos poderá ter chegado por vizinhança com os «Narros» espanhóis ou por míngua de água para lavar os rostos.

Junto ao Tua há água para dar e vender, fornecida pelo rio Tua e formado pelos rios Rabaçal e Tuela.

Hoje a alcunha é apenas cultural e de registo da memória. Ao referirmos as gentes de Bragança como «Narros» e os espanhóis estamos apenas a preservar a cultura e a memória imaterial.

A animosidade dos bragançanos, a que depreciativamente os mirandelenses também lhe chamavam «Bragançuinos», por vezes, fazia-se sentir na discriminação dos exames escolares, por parte de alguns professores, acabando muitos examinandos de Mirandela por rumar a Chaves e a Vila Real.

Embora, cada vez mais ermo, Trás-os-Montes é uma aldeia rural onde todos precisamos de nos unir para melhor podermos reivindicar contra o ostracismo a que somos votados pelo poder central e pelo litoral.

Morais - O ciclo do pão

Ceifa e malha do trigo

(Reconstituição)

Há já alguns anos que a freguesia de Morais, com o apoio da Câmara Municipal de Macedo, tem levado a efeito a reconstituição da ceifa e da malha do trigo. Este ano o evento realizou-se no passado domingo, dia 27 de Julho, com a aderência da população, que, como habitualmente, participou na ceifa e na malha, e depois na merenda que a Junta de Freguesia lhes ofereceu, ao ar livre, em frente ao Quartel da GNR, aonde, nos meus tempos de rapazinho, se fazia a Feira mensal, e íamos colher amoras a uma amoreira branca, cujas amoras não manchavam as camisas e, por isso, as nossas mães não nos davam com a vassoura no rabo, quando chegávamos a casa…

É sabido que as cópias, mesmo parecendo iguais, não são como os originais. Também aqui a ceifa e a malhada do trigo, não são como nos tempos em que eram a sério… Quando se saía de casa, antes do nascer do sol, acompanhado por uma burra com a cântara de barro cheia de água, nos alforges, e os vincelhos, para atar o pão, em cima da albarda… Hoje, quando os ceifeiros saíram para o campo já o sol ia alto, e todos partiram de automóvel… Às oito horas, começaram a juntar-se na Praça os ceifeiros: homens, mulheres e jovens. Lá estavam a Iria, a Maria, a Laurinda, a Dulce, a Isabel, o Domingos Afonso, o Alexandre Geraldes, o Manuel Morais, o João Ramos, o Luís, o Modesto Afonso (o lavrador que cedeu a leira de trigo para a ceifa) e tantos outros. Umas cinquenta pessoas, de seitoura (foice) em punho e dedais à cinta, que se juntaram ao Presidente da Junta, Mário Teles, e se dirigiram ao Figueiredo, para ceifarem o trigo... Pessoas jovens e menos jovens, vindas das cidades, e de França, acompanhados de familiares, que vieram reviver, com alguma nostalgia, a ceifa do trigo, e ouvir a Maria Teresa, e outros, a cantarem velhas cantigas dos ceifeiros, como a do “Lavrador da Arada”, enquanto jovens raparigas imitavam as velhas respigadeiras, apanhando as espigas que os ceifeiros deixavam no chão, fazendo os manhuços de espigas, como no tempo das suas avós. E a Catarina, com a cântara da água e a cabaça do vinho, ia matando a sede aos ceifeiros, que suavam em bica…

Pelas dez horas da manhã, o trigo estava ceifado, o pão atado e o mornal feito, como era hábito fazer-se. Em seguida, como já não há vacas, nem carros de bois a chiar nos caminhos, para fazer a acarreja, chegou o José Canadas com o trator e os segadores carregaram, nele, os molhos de trigo para os levarem para a eira, para junto da malhadeira, para serem debulhados.

Depois, mantendo a tradição, às dez horas foi servido o almoço aos ceifeiros. E, à sombra do velho sobreiro, a Maria Queijo, a Iria e outras mulheres, estenderam a tolha de linho no chão e serviram o almoço: as célebres sopas rijadas (pão de trigo, azeite frito, alho e pimentão doce), e uma posta de bacalhau e batatas cozidas, com casca. Tudo acompanhado com vinho tinto, produzido na aldeia, cerveja, pão e água… 

Depois do almoço, dezenas de automóveis rumaram à aldeia e cada um foi para sua casa, até as dezassete horas. Altura em que ia ser feita a malhada e servida a merenda. 

E assim foi. Pelas dezassete horas, trezentas pessoas, ou mais, dirigiram-se para a eira, onde o Manuel Geraldes tinha pronta a malhadeira, e deu-se início à malhada do trigo. Uns, chegando os mólhos de trigo e alimentando a malhadeira; outros, com as velhas forquilhas de freixo, puxando a palha para o medeiro… Enquanto outros, refestelados à sombra, tiravam fotografias, para mais tarde recordar, e aguardavam pela merenda… 

Pelas dezanove horas, o pó da palha do trigo deixou de andar no ar. A malhadeira descansava, mais um ano, e as pessoas conviviam, alegremente, à volta das mesas onde havia, à disposição, peixes fritos, (de escabeche) do rio Sabor, bacalhau frito com ovo, pão de trigo, vinho tinto e cerveja.

Depois do repasto, bem regado, foi a vez de ouvir a Maria Teresa a cantar o fado! A Maria Teresa, uma fadista que, certamente, nunca entrou numa casa de fados, nem lhe ensinaram música, mas que canta o fado tão bem, ou melhor, que muitos fadistas, afamados. Pena é, o Carlos do Carmo não a ouvir cantar e ajudá-la a gravar um disco, para o museu do fado! 

No dia seguinte, segunda-feira, era dia de pica-o-boi (de trabalho), para muitos dos que ali se encontravam. A ceifa e a malha do trigo, deste ano, estavam terminadas, a contento de todos os presentes. 

Nesse dia, em Morais, não se falou de crise. Todos tinham convivido, em paz e harmonia, e alimentavam a esperança de que não haja quem “acabe” com as Freguesias e as suas tradições, ancestrais. Eles sabiam que tinham feito a sua parte. E tinham! Para o ano que vem, talvez haja mais, como se dizia lá… Oxalá que assim seja...

Expressões Populares

Expressões Populares, segundo o Mirandelês

«A»

 

A capa e o sarrão nunca pesaram! – O agasalho e a merenda nunca pesaram!

À certa confita – A alturas tantas.

À côa! – Gritava-se para afugentar o lobo ou alcateia!

À cuca – À espreita.

À drede – Adrede. De propósito. Por mangação.

A fazer comida para pobres e a vender aves de bico, nunca ninguém ficou rico – Em negócios de migalhas não se conseguem milhões.

A filha casada ao pé da porta é pior que a cabra na horta – Tenta levar da casa dos pais para a sua casa, tudo o que pode.

À frente que atrás vem gente! – Vamos embora. Segue o teu caminho!

À galinha que canta como o galo corta-lhe o gargalo -  Onde há galos não cantam galinhas!

A mulher e a pescada, querem-se da mais lascada – A uma mulher bonita e bem feita chamava-se “uma lasca”.

A ingrampar – A enganar.

A jurdir – A fazer. A urdir. A tramar.

A tua ferramenta é como a do Troca, quando não corta, desnoca! – Isto dizia o Arnaldo Falcão de (Chelas) ao Alfredo Choviscas. Ele que fervia em pouca água atirava logo com a ferramenta (que nunca estava afiada) para o lado e deixava de trabalhar.

A velho recém-casado, rezar-lhe por finado – Quando a virilidade falta, o abuso pode ser o fim antecipado.

À vinda, da Lola, café com leite! – Bem m´ou finto! Não acredito nessa!

Água de cu lavado – Quando um homem gostava muito de sua mulher, diziam que ela o “prendeu” dando-lhe água de cu lavado. Queria dizer que a convenceu a fazer tudo quanto lhe desse na gana. Gomes Monteiro e Camilo Costa Leão, in “A Vida Misteriosa das Palavras”, Portugal Editora, 1944. Esta pitoresca expressão vem do uso antiquíssimo que consistia em dar desta água às crianças, nos primeiros dias de nascidos, para que lhes não tardasse a fala.

Ah, mou burnal, que num sabes nada! – Meu palerma, que andas a dormir na fronha!

Ainda tiras a carocha ao folar! – Ainda apanhas uma tareia.

Ainda vais vender cebolo à Torre! -  Diz-se a alguém que anda a «pedir» umas jasteiradas.

Anda o saco atrás do baraço – Anda um atrás do outro, sem se encontrarem.

Andar no Landum – Andar a vadiar. Andar na farra.

Andavas toda encha com eles – Ancho é upado e as pessoas, quando estão vaidosas incham um pouco, nem que seja só na face. Graziela Vieira, in “ Vertentes da Vida” e João de Araújo Correia, in “Linguagem da Minha Terra”.

Ano de muito gaimão, ano de pão – Ano de boa colheita de cereal.

Apagar o fogo com azeite – Acirrar mais a contenda.

Aquela é do fado – Aquela é da má vida ou da vida fácil.

Armar ao andor – Mulher a ataviar-se.

Armou um cagaçal do caraças – Fez um grande estardalhaço ou barulho.

Arrama, arrama o trovão, para onde não haja palha nem grão!... - Início da oração a Santa Bárbara, para afastar ou parar o trovão.

Arrear o calhau! – Defecar. Fazer merda ou asneira.

Arrefeceu-lhe o céu-da-boca – Morreu.

Arreguila-me bem esses olhos! – Tem os olhos bem abertos e não te deixes enganar!

Arriba arriba, lá pr´ó S.Miguel, ouvir a gaita do Mira Pincel – Mira Pincel era um comerciante do S. Miguel, vendia sapatos e tocava bem flauta.

Assentar o cú no mocho – Ir a Tribunal. Hélder Rodrigues, in "Contos da Pedra".

Até Vale d´ Osso, é tudo nosso – Diz-se sempre que se quer dar a ideia de que a maioria dos terrenos é do próprio ou da família.

 

in "Mirandelês"

Sinais da crise nas padarias

Aquele ilusionismo, começado com Cavaco...

Sinais da crise nas padarias e… - Mesmo nas boas padarias tradicionais de aldeia as quebras na venda de pão são muito grandes. Em Chaves, junto ao Tabolado, as vendas terão caído para metade o que é preocupante, principalmente porque nos dão ideia das dificuldades que as famílias mais pobres e da classe média-baixa estão a viver. A crise ensina-nos a poupar quando se tem a vida desafogada para nos prepararmos para tempos mais difíceis. Eles aí estão e nem sabemos se ainda estamos no fim do princípio ou se o pior vai começar a passar. Uma coisa é certa se comprarmos, de preferência, produtos nacionais estamos a ajudar o país, os trabalhadores portugueses e a nós próprios. Aquele ilusionismo, começado com Cavaco, que não precisávamos de trabalhar na agricultura e nas pescas, pagando, até, para deixar de trabalhar, foi o começo da nossa ruína. Se fosse um cidadão que reconhecesse os seus erros já devia ter pedido desculpa pela sua insensatez ou facilitismo. Ficava-lhe bem um pouco mais de humildade e evitavam certas situações de vaias que não o dignificam, nem ao país que somos. Mas, voltando às padarias, estas são um indicador seguro das dificuldades que estamos a passar e que desafiam a nossa imaginação e solidariedade.