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ArteAzul-Atelier

 

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Exposição "Entre Pontos", de Ana Isabel Freitas

Ana Isabel Freitas, artista plástica, natural de S. Martinho de Anta

Ana Isabel Freitas, artista plástica, natural de S. Martinho de Anta, vai inaugurar a sua mais recente exposição Entre Pontos, no próximo dia 18 de Dezembro pelas 18 horas, no Centro Cultural Regional de Vila Real.
Doutoranda na Université Paris Nanterre, desenvolve atualmente um projeto sobre os Grupos Folclóricos Portugueses em França. Continua no entanto a participar regularmente em projetos dedicados às artes plásticas, ao cinema, à música e ao teatro, dentro e fora de Portugal, desde a sua Licenciatura em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, em 2013.
Esta exposição é o resultado dos seus últimos dois anos de trabalho, numa Residência Artística na Casa de Portugal - André de Gouveia, na Cité Internationale Universitaire de Paris e resulta de uma reflexão sobre a paisagem, a memória, os percursos e as relações afetivas que criamos com os diversos lugares que habitamos, seja toda a nossa vida ou por apenas umas horas. As obras exploram também interações entre tecidos, costura, bordado e pintura a óleo.
A exposição vai estar aberta ao público, com a presença de Ana Isabel Freitas, entre os dias 19 e 22 de dezembro, sendo uma boa oportunidade para se conhecer o trabalho de uma artista da nossa região e, quem sabe, encontrar uma prenda de Natal única!

Fevereiro

Já vem aí o Fevereiro

Já vem aí o Fevereiro
mais quentinho ou mais matreiro
com mais frio ou mais calor,
mais preguiçoso que os manos,
dá, de quatro em quatro anos,
mais um dia, por favor.

António Mosca

Quem me dera naqueles montes... na pena e na voz de António Mosca

Quando entra na terceira idade qualquer pessoa que passou pela vida sem ter tempo de vivê-la, suspira pelos tempos que passaram sem se dar por isso. Este título nostálgico é próprio das gentes que nasceram  em meios difíceis, onde não havia como há hoje, condições sociais e familiares para ser criança. Eram numerosos os filhos, parcas as economias e difíceis as saídas profissionais.

António Manuel Pires Mosca, nasceu em Monte de Arcas, Valpaços, em 1943.

Como  era hábito nesses tempos o seminário era a saída mais prática porque se gastava menos e se estudava mais. Não que os alunos fossem mais inteligentes. Mas pelo facto de não haver distracções, nem atractivos que desviassem a atenção dos estudantes. Era outra a disciplina. Para além de tudo, ser padre, nessa época, conferia estatuto social para o meio campesino.

A vocação viria depois... Uns saíam pouco tempo após o ingresso, outros ao fim do quinto ano, alguns no fim do curso de filosofia; poucos, já após a teologia feita, quando na mente de jovens conscientes bailava a dúvida. Era um passo difícil de dar.

António Mosca saiu com o oitavo ano feito que ao tempo correspondia à aptidão à universidade. Fez o serviço militar obrigatório e prestou serviço militar na Guiné, entre 1965/67. No regresso licenciou-se em direito e fez pós-graduações em direito comunitário pela UCP e em Técnicas de Gestão Empresarial pelo ISCTE. Ingressou e fez carreira profissional na Caixa Geral de Depósitos: exerceu, inicialmente funções administrativas entre 1967 e 2005. Os últimos anos até à aposentação executou funções técnicas e directivas. Estas ao mais alto nível. Desde muito novo António Mosca colaborou em jornais e revistas. E, também desde os primeiros anos se dedicou à recolha de material etnográfico da região periférica ao local do seu nascimento. Logo que se aposentou voltou-se mais para o norte. Lisboa já o enjoava. Monte de Arcas era um pólo de riqueza cultural que o inspirou a desenvolver e a concluir as 450 páginas que em Abril deste ano viram a luz do dia. Os Usos e costumes de Monte de Arcas, uma aldeia da Montanha Transmontana, nos meados do século XX, foi o fio da meada a dobar. A recolha que resultou desse esforço de muitos anos, embora só decidida ao aposentar-se, constitui um notável exemplo de monografia que muitos académicos propõem e aconselham, mas que poucas vezes, resultam em obras coerentes, sérias e completas, como esta. Há hoje um frenesim desregrado nas muitas (e algumas duvidosas) instituições de ensino superior, que por trabalhos semelhantes obtém mestrados e doutoramentos que nem de perto, nem de longe, se podem comparar com esta colectânea que aborda todos os ângulos de visão que um trabalho científico exige. Há um equilíbrio emocionante no tratamento dos muitos e diversificados temas. Uma sequência lógica, em consonância com a cronologia das fainas agrícolas, com o calendário dos lavradores, com o tradicionalismo comunitário. Para exemplificar a proficiência deste tratado etnográfico basta referir que dedica 38 páginas ao glossário da comunidade que escolheu para estudo e nessas 38 páginas reuniu cerca de 1200 vocábulos, regionalismos, expressões idiomáticas, falares locais que nalguns casos são comuns a toda a região envolvente mas que ajuda a compreender o alcance científico deste tipo de cultura popular. Assim, cada aldeia, freguesia ou concelho tivesse  a carolice de inventariar esta riqueza campesina que corre o risco de perder-se se, autores como António Mosca não colocarem o seu saber, a sua capacidade linguística, a sua vocação literária e todos os demais gostos inatos aos filhos dessas terras para lhe seguirem tão nobre exemplo. António Mosca foi um verdadeiro profissional em tudo o que empreendeu.

A Câmara de Valpaços promoveu o lançamento da obra no seu principal auditório municipal. Fez a aquisição de algumas dezenas de exemplares e, o seu vice-presidente, ainda no dia 18 de Junho passado, na sessão de abertura do 1º Encontro de Jornalistas e Escritores Luso-Galaicos, exemplificou com essa obra, o grande mérito dos filhos do concelho que têm vindo a dar notáveis de apego às origens, sobretudo alguns daqueles que tiverem de partir para singrar na vida e voltam, saudosos, com gestos de nobreza telúrica. Valpaços, como quase todos os concelhos Transmontanos, tem muitos e edificantes exemplos. Este é paradigmático. E a Câmara reconheceu-o publicamente. Quando assim é, concluímos que valeu a pena!

O autor desta recensão breve foi colega de Seminário do António Mosca. Sempre viu nele uma referência como aluno, como cidadão, como amigo do amigo, como Transmontano agradecido.

São estes modelos de camaradagem, de ligação à vida inteira, ainda que por caminhos diferentes, que fazem de nós, uma geração vencedora. Fomos parias desde o berço até à velhice. As contrariedades existenciais superaram os sucessos. Mas foi a dureza dos primeiros tempos que moldou para a vida e nos fez homens que soubemos honrar os seus maiores. Assim os vindouros nos honrem, prosseguindo o muito que ainda resta fazer. Para quem desejar obter a obra, deixamos o contacto do Autor:  Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Autores Transmontanos

Grandes Prémios Literários «já» chegam a autores Transmontanos

Durante muitos anos, nas artes, como nas letras, parecia haver uma barreira aos criativos de Trás-os-Montes e Alto Douro. Mais por força do mérito e também da contestação unânime dos seus visados, os dirigentes da máfia que sempre dominaram as instituições representativas desses sectores, passou a existir uma espécie de remorso colectivo e a reconhecer a injustiça na (des)valorização do mérito e da competência, em detrimento da habituação malévola que era confrangedora e irritante.

Sempre Trás-os-Montes foi berço dos melhores artistas nacionais, fossem escritores, jornalistas, pintores ou escultores. Essa supremacia adveio da superação das obras que nos legaram. Citem-se alguns nomes para exemplo: Guerra Junqueiro, Trindade Coelho, Abade de Baçal, João de Lemos, Paulo de Quintela, Miguel Torga, João de Araújo Correia, Ferreira Deusdado, Camilo,  Guedes de Amorim, Reis Ventura, Teixeira Lopes, Norberto Lopes, Raul Rego, António Cabral, Montalvão Machado, João de Araújo Correia. Estou a citar, ao acaso autores falecidos. Mas essas gerações tiveram continuidade em nomes, como: Adriano Moreira,  A. M. Pires Cabral, Bento da Cruz, Ângelo Minhava, Júlio Montalvão Machado, Isabel Viçoso, Hirondino da Paixão Fernandes, Amadeu Ferreira,  Loureiro dos Santos, Aires Ribeiro, Ernesto Rodrigues, Modesto Navarro, Rogério Rodrigues, Nadir Afonso, Graça Morais, Balbina Mendes, José António Nobre.

A. M. Pires Cabral acaba de ver premiado um seu novo livro de contos, pela Associação Portuguesa de Escritores, no valor de 7.500 euros, patrocinado pela Câmara de Famalicão.

Este Bragançano (Chacim) de nascimento, mas vila-realense por adopção profissional já conquistou alguns dos mais cobiçados prémios nacionais, coroando a sua carreira literária, diversificada e copiosa. É hoje, inegavelmente, não só das maiores e mais sólidas referências literárias regionais, como nacionais. E tem ele sabido imprimir ao Grémio Literário que inspirou e dirige, esse cunho de saber e de experiência feito, para gáudio dos seus utentes que são muitos e cada vez mais fidelizados.

Acertou a Câmara de Vila Real quando o convidou para dirigir os serviços culturais. O Grémio Literário de Vila Real deve causar embaraços a muitos similares que outras Câmaras mais ricas tentaram impor, mas não conseguiram. Nalguma coisa os Transmontanos têm de impor-se por si.

Paralelamente a Câmara de Bragança inspirou e tudo fez para instalar, na sua Biblioteca Principal (com o nome de Adriano Moreira), a Academia das Letras de Trás-os-Montes que convidou para Presidente da Assembleia-Geral, precisamente A. M. Pires Cabral. Uma instituição não tira visibilidade à outra, antes se completam. O Grémio é um departamento autónomo da Câmara de Vila Real. Ao lado, debaixo do mesmo tecto, tem a Biblioteca. Aquele  não funciona como associação. É integralmente gerido pela autarquia, através do seu legítimo representante Pires Cabral. E tem dado bons resultados. Em Vila Real a Câmara dá lições à Delegação da SEC.

Bragança, não em espírito de competição doentia, mas  numa imitação saudável, avançou com a ideia de fundar a Academia de Letras de Trás-os-Montes. Nada faltou para que esse projecto fosse por diante. No prazo de um ano foi anunciado, formalizado e instalados os seus órgãos e os serviços administrativos. Ainda bem que A. M. Pires Cabral consubstancia esse binómio cultural.

Trabalham em sintonia as duas instituições, numa parceria exemplar: nos seus sites anunciam reciprocamente os movimentos culturais, de uma e de outra. E, como agora se  vê, até os êxitos de alguns dos seus membros, são pretexto de orgulho para todos os membros de ambas. A demonstrar que foi princípio ajustado, colocar membros do Grémio, a liderar a AG da Academia. Assim como os associados da Academia, sempre foram e vão continuar a ser,  presenças vivas e activas no Grémio Literário. Esta reciprocidade e cumplicidade cultural começam a impor-se num país em que a cultura e o apoio institucional aos seus agentes culturais como que impõem uma política mais de feição regional do que  nacional.

Falamos por experiência própria: como agente de cultura nunca tivemos qualquer apoio, directo ou indirecto, através da Delegação da SEC. Mas sempre algumas autarquias, sobretudo aquelas que têm mais a ver com  as nossas origens, estiveram sensíveis aos apelos formulados. Exemplifico com as de Montalegre, Boticas, Chaves e Valpaços. Certamente outros agentes terão boas razões para mencionar outras autarquias às quais estão ligados.

Neste aspecto o poder local tem razões para se congratular, face ao poder central.

E é bom ter este aspecto em linha de conta. Porque as terras valem não só pela sua riqueza telúrica, termal, agrícola ou turística. Também pelo mérito dos seus ilustres filhos que nas artes, nas letras, no campo da actividade profissional, demonstram a grandeza de espírito, de altruísmo e de amor à terra que os viu nascer. Ainda o associativismo, a hospitalidade, a arte de bem receber, são regras inatas ao carácter Transmontano e Alto-duriense. São disso prova as muitas e prestimosas casas regionais, onde pontificam o bairrismo e a solidariedade.

Jornal Notícias de Mirandela

Meio século é muito tempo

O jornal Notícias de Mirandela está a comemorar cinquenta anos. Mas olho para o logotipo ou cércia da parte alta da cidade e parece não ter o brilho habitual. Um jornal, ou outra empresa, é como uma pessoa gosta que se lembrem dele. Que o leiam e até que lhe dêem os parabéns. Há empresas que são marcos em Mirandela e a quem os mirandelenses muito devem. O Governo da República, em 14 de Janeiro de 2005, atribuiu-lhe um público louvor «pelos serviços relevantes prestados à causa do Jornalismo em prol da sua região e do país.» O Notícias de Mirandela tem sido uma mais valia para Mirandela e um meio de os mirandelenses da diáspora estarem um pouco ao par do que por cá se passa. No fundo, é um embaixador de Mirandela e tem desempenhado o seu papel com orgulho e com muitos sacrifícios. A razão da sua longa existência acaba por ser um caso de amor com Mirandela e os mirandelenses. Vários, já foram distinguidos (mesmo alguns que mostram azedume a Mirandela), ao longos dos anos, e que pouco ou nada fizeram pela cidade. Estou em crer que, neste tempo de aniversário, o Notícias de Mirandela ainda vai ser reconhecido. Ao fazer-se isso, estar-se-á a reconhecer o trabalho prestado não só pelo jornal, mas também pelos colaboradores e mesmo pelos leitores. O Município presidido por José Silvano, tem sabido ser agradecido. Porque, meio século é muito tempo!...