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Nuno Nozelos

Nuno Nozelos
Admirável o seu talento a sua humanidade e simplicidade

Torre Dona Chama, Mirandela e Trás-os-Montes e Alto Douro mais pobres com a partida do nosso querido escritor, Nuno Nozelos, ao início da tarde de 18JUL2017. Nuno Nozelos nasceu na Fradizela, mas a sua meninice e ao longo da vida foi na Torre Dona Chama a que sempre se prendeu e onde o pai tinha uma pequena indústria.
Recentemente elaborei uma nota curricular do Nuno Nozelos, para o introduzir na grande «Antologia de Autores Trasmontanos, Alto Durienses e Beira Trasmontana», que a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa vai editar em Setembro de 2017, e coordenada pelo Doutor Armando Palavras.
A doença que o foi incapacitando tirou-lhe quase tudo, mas os esporádicos lampejos de lucidez prendiam-no ao mundo e, quiçá, a maior alegria foi saber que nunca o atirariam para um depósito de velhos. Essa gratidão cabe por completo à Dona Celeste, sua extremosa companheira de uma vida plena.
Calou-se para sempre uma das melhores vozes da escrita trasmontana e alto duriense. Mirandela e a nossa região ficam mais pobres.
À Dona Celeste Nozelos e aos demais familiares endereço um sentido e humedecido abraço de alma!
Até sempre Nuno amigo, vais continuar com todos os que admirávamos o teu talento e a tua humanidade e simplicidade.

O ciclo do porco (3)

Cebar o reco

A ceba assumia-se como a dispensa duma casa de lavoura ao longo de um ano. Os lavradores mais abastados da minha aldeia, na década de cinquenta, do século XX, engordavam dois recos para cebas e os mais pobres apenas um.

Havia sempre um ou dois borrões na aldeia para cobrição das porcas. Depois, para o final de Agosto escolhiam-se os que deviam ficar para ceba. Antes, com um mês ou pouco mais os leitões levavam uma escolha e lá ia um ou outro para um manjar. Geralmente na festa da aldeia ou pela Páscoa quem não tinha posses para um cordeiro ou cabrito ficava-se pelo bacorino.

Certo era que pelos 14 ou 25 de Agosto ou pelos 3 de Setembro quem tinha em casa laregos ou laregas a mais botava-os à feira, se não os tinha apalavrados ou vendido já a algum vizinho. A escolha requeria saber, a cor da pele, para ver se era mesmo um porco bísaro bem talhado. Para tal, tinha que ter bastante comprimento entre os quartos e as espadas, as orelhas compridas (quem não gosta de uma boa orelheira), cabeça e o focinho ao jeito de apanhar bem o grão do chão ou a bianda do masseirão ou da pia.

Nos primeiros tempos, quando o larego se estriava na lida da engorda que demorava de 14 a 18 meses, era olhado em vários aspectos do seu desempenho: se era de boa ou rõe boca, se era irrequieto e andava sempre a fossar ou se era sediço e não tendo ficado com os grãos por vezes ficava com a ideia. Para os que preferiam o labuta de fossar ao fresco emboligar num chafurdo ou possa de lama fétida, punha-se-lhe um arganel na cartilagem superior do focinho, geralmente feito de um cravo de ferrar, e tornavam-se mais sossegados, o que equivalia a medrarem mais.

A chegada da feira com os laregos para cebas do ano seguinte era feita de um modo discreto porque havia logo quem dissesse que tinham sido caros ou baratos e havia quem os repassasse com o olhar da inveja. Por isso, eram metidos no curral ou na loije de onde apenas sairiam para o banco da matança, passado mais de um ano. Também os comprados na aldeia eram mudados de dono numa altura que pouca gente desse por isso porque havia sempre quem dissesse que tinham sido comprados baratos ou que não valiam o dinheiro. E nem o comprador ou vendedor gostava de ficar a perder.

A partir do meio do Verão a fruta e outras sobras das colheitas eram aproveitados para engordar a ceba que morreria passados curtos meses e o larego que depois era elevado a candidato à salgadeira e ao fumeiro.

Com o fim dos restos da fruta do Verão ou início do Outono as cebas ficavam biqueiras com os mimos dos figos e das batatas pequenas, tendo que se passar a cozer o trigo, as batatas e os nabos. A dona da casa, mal se apercebia que alguma ceba se enfastiava com a bianda, não se fazia rogada e avançava para as caldeiradas de batatas, de grão cozido e de nabal em grandes baldes, à lareira, e pendurados nas cadeias que eram alteadas ou baixadas consante a fogueira era muito forte ou mais mortiça e as brasas aguentavam o lume.

Por vezes, eram retiradas algumas batatas para acomodar os cães do gado e até algum estômago mais desaconchegado, bastando, neste caso pelar a batata a amarrá-la como se fosse o melhor petisco. 

A comida era tão abundante que o porco não conseguia digerir o grão do pão ou do milho e as galinhas ou os laregos iam aproveitando o que vinha intacto com as fezes.

Até que chegava um dia que do meio-dia para a noite não recebia a ração, quando muito era-lhe dada uma bianda augada e deslavada.

Direito por Linhas Tortas

Também em política o destino escreve direito por linhas tortas

O JN de 19 do corrente noticiou que Jorge Nunes, Ex-Presidente da Câmara de Bragança, venceu a eleição para vogal da Comissão Directiva do Programa Operacional Regional do Norte. O seu opositor era António Magalhães, ex-Presidente da Câmara de Guimarães. Ambos se tinham encontrado na Cidade da Guarda, dia 10 de Junho de 2014, para serem condecorados com a Comenda da Ordem de Mérito. Passados 8 meses, aos seis comendadores autarcas, Cavaco Silva, reforçou a dose com mais 15. Ou ficou com remorsos, ou entendeu que não saldou a gratidão para com quem o recebeu condignamente, em eventuais visitas do chefe de Estado. Sucedeu que dia 18 deste mês, dois desses comendadores foram votados, em oposição, a um cargo importante para o qual se exige um grau de honestidade à prova de bala. A votação decorreu em Stº Tirso. «Participaram 78 representantes de Câmaras das 86 que compõem o Norte. Das 78 que votaram, 39 eram do PSD e 35 do PS. Duas independentes e duas do CDS. A votação foi secreta e Jorge Nunes venceu com 42 votos contra 36 de António Magalhães». Esta explicação foi dada pelo JN que acrescenta: «à saída da reunião, o presidente da Associação Nacional de Municípios, Manuel Machado, disse esperar que não se repita esta situação desagradável, ocorrida com a nomeação anterior em que foi rejeitado o nome de Carlos Duarte». Ao contrário, o eleito Engº Jorge Nunes disse ao JN que foi «apanhado desprevenido com a nomeação». Ao invés António Magalhães não sabendo perder, «lamentou que houvesse quem não era convergente com um conceito partidário». E para disfarçar o peso da derrota, foi alegando não estar preocupado, pois foi candidato por um convite feito em cima da hora pela federação do PS/Porto».

Na penúltima semana pude censurar, como jornalista, o PR pela precipitação, oportunismo e incoerência, ao ter condecorado na sua residência oficial, 15 ex-autarcas, que se limitaram a cumprir (nalguns casos mal) as suas obrigações. No dia seguinte foi confrontado, pela própria imprensa, com o caso de um autarca distinguido, que vira chumbadas as contas em três anos consecutivos, pelo competente Tribunal. Nessa crónica deixei aberta a porta, à disponibilidade de o PR ou o MP me chamarem a justificar, as denúncias que enunciava. Tive a frontalidade de afirmar que alguns (autarcas) de entre estes ou aqueloutros que haviam sido condecorados no dia 10 de Junho de 2014, na cidade da Guarda, talvez devessem estar na cela da cadeia de Évora, ao lado da famosa caserna 44.

Ainda não consegui perceber porque é que os sucessivos chefes de estado têm um fraquinho democrático por aqueles que, se batem, com unhas e dentes, pelo poder local. São mais os que mentem do que aqueles que cumprem o que prometem. Muitos deles usam e abusam dos cargos, servindo-se mais do que servem. Analisem-se os sinais exteriores de riqueza. Confrontem-se as declarações que no início dos mandatos eram (?) obrigados a preencher e a enviar para o Tribunal Constitucional para que ao fim dos mandatos, em caso de dúvida, fossem confrontadas com a realidade. Façam-se averiguações para saber quais e quantos os autarcas com pelouros atribuídos que têm filhos, cônjuges, familiares e correlegionários, no desemprego. Que e quantas viaturas tinham antes e têm depois.

O que também é muito difícil de entender é o critério democrático de condecorar quem se limita a cumprir as obrigações para as quais é eleito e pelas quais é, sobremodo, remunerado, fazendo vista grossa a tantos criadores, artesãos, artistas, operários, empresários, cidadãos em geral que gastam uma vida inteira a cumprir e ninguém os vê, os aprecia e muito menos cumpre a obrigação de os valorizar. Sei do que falo porque também tive essa experiência. Orgulho-me de nunca ter sido derrotado. E de me demarcar, no fim do mandato a que concorri, para não ser convencido a repetir a experiência. Aprendi muito, prezo-me do que fiz, tenho consciência de que não terei feito tudo aquilo que desejava, não por falta de vontade, mas por oposição sistemática contra quem, a seguir, foi poder absoluto, ditatorial e irredutível. Tive o cuidado de guardar provas, consistentes que, desde aí até ao presente, me garantem força moral e inteligência bastante, para denunciar a demagogia, a prepotência, a injustiça, a tirania, a ganância e o medo agressivo mando e comando semearam. Ao ter conhecimento do triunfo democrático da eleição do Engº António Jorge Nunes, autarca impoluto, justo, coerente, sério, humano, tolerante, competente, previdente e incorruptível para um cargo tão representativo como é o da gestão de verbas públicas, tenho obrigação de, conhecendo as funções e as personalidades, bendizer os eleitores que ditaram o resultado. Quando, por força da lei, este ex-Presidente da Câmara de Bragança teve de abandonar o cargo cujos sortilégios se estampam na cidade e concelho Brigantino, escrevi que ele teria sido o melhor ministro das obras públicas, se um qualquer governo o tivesse convidado. Parabéns aos 78 representantes das Câmaras do Norte do País pela boa escolha que fizeram.

Pudim de Maçãs e Castanhas

Ingredientes:

 

2 maçãs;

300 g de castanhas;

1 copo de vinho branco;

50 g de açúcar e 2 colheres (sopa) de açúcar baunilhado.

 

Confecção:

 

Coza as castanhas durante 20 minutos. Escorra-as e pele-as, misturando-as com as maçãs cortadas às rodelas. Ponha-as numa panela ao lume brando, cobrindo-as com o vinho e deixe-as cozer até a fruta se desfazer. Passe-as no passe-vite e recolha o polme numa forma pequena forrada de caramelo. Coza em banho-maria, até que o caramelo se tenha completamente liquefeito. Desenforme e polvilhe com o açúcar baunilhado.

 

in CASTANEA - uma dádiva dos deuses

Papas (de farinha de milho)

Ingredientes (para 6 pessoas):

 

300 g de milho traçado (moído grosseiro, levantando a mó andadeira);

100 g de feijão vermelho;

4 folhas de couve galega;

2 colheres de azeite;

5 ou 6 folhas de hortelã e sal (a gosto).

 

Confecção:

 

Preparação: Numa panela de ferro coze-se bem o feijão, adiciona-se depois o sal e o azeite. Corta-se a couve-galega (um pouco mais grossa que para caldo verde). Junta-se ao preparado anterior, deixando ferver.

Quando estiver cozida, desfaz-se a farinha em água morna. Deita-se água fria na panela para que deixe de ferver e junta-se a farinha, mexendo muito bem e continuamente para que fique «desfeita» e sem «grunhos». Depois de ferver e engrossar, adiciona-se a hortelã e serve-se quente.

 

Receita fornecida por Antonino Jorge da sua irmã, M.ª Isabel Resende Jorge Teles, uma cozinheira de estalo (convidada para bodas e baptizados e por grupos) de Tendais, concelho de Cinfães.

Nota: Este prato, mais comum no Inverno, era utilizado muitas vezes ao jantar, sempre que ao almoço se comiam feijões cozidos com couve galega e presunto. À água que sobrava era só juntar o azeite, a farinha e a hortelã.