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ArteAzul-Atelier

 

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Faustino ouviu com alguma paciência o amigo

Faustino ouviu com alguma paciência o amigo

Viajava só, Nanico, descansado, estrada fora em marcha lenta relativamente aos farolins dos outros condutores. Afinal era já noite, encontrando-se ali a fazer que conversava, ele mais o amigo da tasca. Depois de curva apertada, mil pensamentos na sua cabeça sem adivinhar o futuro, para nunca se enganar, repetindo que a seguir a uma curva vem sempre uma reta, por mais pequena que seja. Pois é, tudo isso é verdade, mas desta vez, a seguir àquela curva, lá estava a reta, e era mesmo a reta viva porque se mexia mas, com ela, um tipo assim – como tu – dizia ele, de grande volume – mais que tu – continuava, a acenar com um pano, vendo de imediato que precisaria de ajuda, as mãos bem postas ao alto.
– É como se estivesse a enxergá-lo, mesmo agora. Parece impossível!
Até àquele lance, Faustino ouviu com alguma paciência o amigo, mas não poderia deixar enganar-se. Não senhor, ao contrário do que ouvira, a seguir a uma curva pode aparecer outra curva e, sendo duas torna-se tudo muito mais complicado. É verdade, não deixa de ter alguma razão. Nanico fica confuso e, com alguma irritação, a ver-se pela humidade na exalação, recusa-se a aceitar essa evidência. Com denotado esforço a compreender-se pelos sinais, tenta fazer um desvio quando encontra aquela figura no meio da estrada de braços ao alto. Prossegue devagar, mas nunca se sabe se os travões o traem ou fazem abrandar, retorquindo zangado o dono da tasca que nunca na vida viu semelhante coisa: – uma estrada com os braços no ar.
– Estás mas é maluco. Olha…! Ou bêbedo!
Nanico, pelo escuro, viaja descansado, só, estrada fora, em marcha lenta relativamente ao que consegue observar nos outros condutores. Bebeu ao jantar apenas o necessário para conserva de açúcares. De rosto apontado em frente, gosta de sentir-se aquecido pelo bafo da “chaufagem”, que funciona – digo-te eu, que sei. Ou se desvia ou vai em frente, apenas as duas hipóteses consegue absorver, junto com as baforadas e mais uma golada do tinto.
Nanico começa a dar sinais de algum cansaço, agora que conseguia desenrolar tudo o que tinha para desenrolar. Tanto falava e conduzia ao mesmo tempo, com fervor, que o Tinho começava a compreender e a temer tamanha excitação do amigo. Um caso assim, a acontecer de repente, sem esperar, no meio da estrada e, por mais devagar que circulasse, seria preciso se estivesse no lugar dele, ter os reflexos bem calibrados para evitar o desastre infeliz. Nesta efervescente meditação, faz passar de novo o pano pelo frontispício, ao mesmo tempo numa sacudidela de cabeça, de modo a reter melhor a visão do amigo, não fosse ele em descuido ou quem sabe falta de travões atropelá-lo.

A Livraria «Poética»

tenta sobreviver em Macedo de Cavaleiros

Numa mensagem triste chegava-me à caixa do correio electrónico, informando que a Livraria «Poética», num belíssimo espaço, na rua da Fonte do Paço, em Macedo, fecha no final de Março. Ali fui recebido, pela Virgínia do Carmo, a proprietária criativa, como tantos autores transmontano-durienses e outros.

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Por Terras do Marão

Travassos...

Há muito tempo que não visitava Travassos, esta aldeia do Bilhó que o rio Cabril ou Mestas rega. Voltei a fazê-lo no início de Agosto, aproveitando uma deslocação de Vilar de Ferreiros a Vila Real  (via Lamas de Olo) para assim mais uma vez matar saudades dos meus tempos de criança em que, com frequência, a pé ou ao colo de minha saudosa mãe  percorria os cantos dessa simpática aldeia da montanha maronesa e na hospitaleira casa da também já saudosa Ti Ninfa de Travassos me demorava a brincar.

Fiquei encantado com o seu património arquitectónico devidamente restaurado, e em adequados cartazes identificado. Um placar no desvio, em  Celas, a recomendar aos turistas que para entrar em Travassos de autocarro só indo à volta pela aldeia do Covelo, ficava ali muito bem, pois é sabido que pelo lado de Celas só lá se chega em carro ligeiro. Fica a recomendação.

Depois da visita à capela de Santa Bárbara e  do passeio pela centro da turística aldeia, foi o regresso de volta à estrada principal para prosseguir em direcção a São Cristóvão de Parada de Cunhos, onde desta vez nem oportunidade tive de cumprimentar o famoso numismata de craveira internacional, Sr. Padre João Parente, pároco da freguesia. O propósito nesse dia era ajudar a dar cabo de um leitão que "caçado" na  Régua, veio ainda muito quentinho parar a casa da minha mana Amália, pelas mãos do meu cunhado Reis e do enfermeiro Rui a quem coube a tarefa de com mestria o retalhar. Foi um almoço familiar que além do mais valeu pelo convívio e ocasião para uma "africana" alfacinha regressada de Angola conhecer as primas Isabel e a Liliana, esposa do Mário P. Cabral. 

Para o café e digestivos da ordem, que nestes momentos de animação fazem parte do cardápio, foi escolhida a vizinha Quinta de São Miguel, cuja sua antiga capela, hoje fechada ao culto, pertence a D. Dinora Guedes Lousa, proprietária do restaurante Toca do Lobo.    

"Merenda comida, companhia desfeita", diz o povo. Também assim aconteceu comigo. Era sábado e no domingo, dia 8, havia festa em Vilar de Ferreiros (Vilarinho) à qual eu desejava assistir; por isso não houve ceia ou jantar para mim, em Parada. Mas de regresso ao ponto de partida tive tempo para em Lamas de Olo dar uma saltada a Dornelas, povoação do planalto maronês (Parque Nacional do Alvão) onde apesar de algumas violações arquitectónicas ainda se vêem muitas casas de pedra com telhados de colmo. É uma das aldeias do Parque que o Parque bem podia ajudar a melhorar mais em termos de aproveitamento turístico.  

Desta aldeia serrana pouco sei da sua história passada, por isso me sirvo de um comentário do Dr. Domingos Teixeira Mesias feito no "Portugal,  minha terra"  em 18 de Setembro de 2007 a um post que fiz à volta de Mons. Ângelo Minhava. Adianta o Dr. Domingos: "Queria trazer aqui a informação doutro ilustre conterrâneo do senhor Padre ("pai") Monsenhor Thomás Peixoto, ordenado pela Diocese de Braga e na sua casa paroquial nasceu em 1889, a minha bisavó materna. Patrocíinia Dias Peixoto. Esta instruída senhora deixou memória de vida e descendência numerosa em Dornelas, Lamas d'Olo". 

No vale do Olo, onde o granito abunda e as águas que  regam e fertilizam os lameiros também, tanto o gado maronês, como o mular, burros e cavalos, tem ali espaço privilegiado. Nesse cenário a aldeia de Dornelas é um bom exemplo do uso dessas potencialidades naturais evidenciado na construção da casa e na tradicional exploração agro-pastoril. Os telhados de colmo (palha de centeio) ainda hoje podem ser ali admirados.

De regresso e já no concelho de Mondim foi a vez da  Anta, o desvio até ao centro da aldeia é curto, poucos metros. Desci até lá para ver a capelinha de São Jorge que Camilo conheceu, e cita em Doze Casamentos Felizes, servindo-se para tal da boca do "Ladrão da Anta": " - Já sabe que a minha aldeia é Anta, na serra, a duas léguas de Vila Real. À saída do povo está uma capela e num outeirinho, à esquerda,  está um cardenho. Vive lá a minha irmã Maria".  Romance é romance, mas quer em Memórias do Cárcere, quer em Doze Casamentos Felizes, Camilo revela que esteve na Anta, assim: "A Anta é um paraíso terreal onde os lobos passam pelos habitantes e os habitantes passam  pelos lobos, como nós pelos cãezinhos de regaço. Lá estive eu no dia 20 de Agosto de 1860, comendo a meias com o  meu cavalo  um vintém de pão negro que um lavrador me  vendeu compadecido, por  me ver a fome  estampada no rosto e o cavalo arqueado e melancólico como  chorão de cemitério."

Pousada da Juventude para Mirandela?

Mirandela é o centro de Trás-os-Montes

Falar de Mirandela para quem o faz há 30 anos não é fácil conseguir assuntos de interesse para os amigos leitores. Depois, há quem veja nesta ou naquela referência, seja a pessoas ou seja a instituições, motivos ou interesses políticos. Os que me conhecem sabem que a minha política em Mirandela ou Trás-os-Montes é o bem-estar da nossa gente e o desenvolvimento sustentável deste meu chão.

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Calças rotas

Calças rotas, a moda saloia

Quando, no final da década de sessenta, do século XX, se usaram as calças à boca-de-sino (hoje voltam à moda), o meu pai criticou-me por eu as usar. Dizia-me que a moda era redonda e voltava às calças largas. Na minha inexperiência, respondi-lhe que estava errado e que a moda não voltava atrás. Contrapôs-me que já as tinha havido no seu tempo de rapaz, ou seja nos anos vinte. Mais tarde, constatei que ele tinha razão. Razão tinha quase sempre, mesmo em assuntos da cultura e aprendi com os meus enganos a ouvi-lo mais e a seguir os seus concelhos.
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