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ArteAzul-Atelier

 

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Boas comidas e os pratos regionais que se confecionam por aí

Linguiça de carne de Boticas

A linguiça de carne de Boticas é um enchido fumado, constituído por carne e gordura de porco da Raça Bísara, ou produto de cruzamento desta raça, desde que 50% de sangue Bísaro, cheio em tripa delgada de porco. As carnes são devidamente condimentadas com sal, alho, pimentão picante e/ou pimentão doce e vinho tinto produzido na região. Este enchido apresenta o aspeto de ferradura, de secção cilíndrica e dimensões variáveis. A sua cor não é homogénea, variando do avermelhado ao castanho, com manchas, percebendo-se exteriormente os pedaços de gordura. O seu diâmetro é de cerca de três centímetros.

Feira gastronómica do porco, em Boticas

Costuma ser no início de janeiro, em Boticas, a primeira feira gastronómica do porco e também a primeira das mais conhecidas em Trás-os-Montes. Este ano realizou-se nos dias 12, 13 e 14 de janeiro, no Pavilhão Multiusos.
Desde 1998 que a vila de Boticas é local de visita obrigatória, em que a agricultura local e os produtos tradicionais são valorizados e divulgados nesta mostra gastronómica, sendo a carne de porco e seus derivados “Reis da Festa”.

“Ervilhada” com chouriço e entremeada salgada

Dos mais simples que possam imaginar-se, os ingredientes são, no entanto, diversificados: ervilhas, cenouras de tamanho reduzido, chouriço, entremeada salgada, pimento vermelho, cebola, alhos, azeite, colorau, ervas aromáticas e um acrescento mínimo de água.
Dentro de um tacho ou panela de barro, de preferência de Bisalhães, coloque-se um pouco de azeite e comece a aquecer-se. Depois, um a um, adicionem-se os ingredientes devidamente espaçados, de acordo com as sensibilidades culinárias de cada um(a): cebola partida aos bocadinhos, iniciando-se o processo de estrugido ou refogado e, passado algum tempo, dentes de alho inteiros.

Bacalhau assado com batatas a murro

Sem murro, as batatas deixam de o ser – a murro. Entende-se, neste caso, “a murro” o choque entre mãos após devida assadura da batata, deixando-se esta gretada, fendida, rasgada, estalada. O toque deve ser breve e convicto de quem pela experiência conseguiu absorver o conhecimento. Saber é o mais importante mas nem sempre se liga ao saber a sabedoria de conhecer e, deste modo, “dar o murro” não é para qualquer um ou qualquer uma, como hoje é obrigado dizer-se – qualquer uma! Tenham lá feito, em tempos longínquos, o que as avós fizeram, nem sempre o que fizeram o fizeram bem feito e, por isso, o que assaram ou cozeram, malgrado o sacrifício, a sofreguidão e a vontade de comer, trespassou o tempo até aos dias de hoje envolto em ideias gourmet de bom gosto, tradicionais, da cozinha da avó confundida em qualidade e requinte culinários. É preciso, imperioso saber-se e isso não é para qualquer um, qualquer uma, vamos lá ser precisos.

Novidade ou Novidades

“Novidade” ou melhor ainda “Novidades” são palavras que têm um significado muito importante para quem, com trabalho árduo, vê o resultado desse labor levado a cabo durante dias e dias, semana a semana com todos os cuidados que dizem respeito à faina agrícola, permitindo agora colherem-se as novidades, tantas e tão saborosas. Algumas delas vão servir diretamente as pessoas, agricultores e seus familiares, amigos, mesmo os das cidades, sabedores da qualidade dos produtos naturais das aldeias, das suas aldeias, com os sabores genuínos que não encontram nas grandes superfícies comerciais durante o inverno que se aproxima.

Bôlas calcadas ou bôlas sovadas

É curioso como um produto tão peculiar dos concelhos de Mirandela e Valpaços apresenta diferenças na sua forma como na confecção. A bôla calcada da cidade de Mirandela e aldeias mais próximas leva na sua confecção: farinha centêa, água, azeite e uma pitada de sal. A Bôla calcada da zona de Mirandela tem o formato arredondado e afalachado, com ligeiros cortes na face superior para melhor se poder partir com a mão sem recurso a faca. A sua confecção, grosso modo, assenta no pão ázimo dos hebreus e que estes, por sua vez, herdaram dos sumérios e caldeus e dos primitivos egípcios, sendo os cristãos coptas um ramo.

Alheira Mirandela IGP de qualidade ou gourmet

Como pouco fumeiro ao longo do ano. Este ano talvez tenha comido duas ou três alheiras. A minha mulher decidiu comprar duas «Alheiras Mirandela IGP», «Selecção Continente» que tinha como informação adicional «A mais típica alheira, com um aroma ligeiramente fumado e um sabor marcado pelo alho utilizado na cozedura das suas carnes».

O João Nanico

O Nanico não lê os jornais

O João Nanico é chanfrado da cabeça. Ou, por outra, não sei se o é. Dizem que é originário das ilhas a que chamam Malucas..., mas não..., é demasiado distante para ser verdade. Contudo, não sei, há uns anos atrás também veio de lá o Camões.

Apesar do seu ar tipicamente índio e da sua vocação para as danças tribais, o Nanico gosta demasiado de flocos à base de cereais que, de cereal nada têm aqueles; talvez sim, uns concentrados de massa duvidosa com sal e açúcar, resultantes das sobras das respectivas refinações. 

O homem nem costuma ler o jornal, não se interessa pelo que acontece no mundo, nem mesmo histórias de amor e novelas ele aprecia. Gosta sim, de falar de desporto, diz ele que o desporto lhe dá satisfação e alento. Quem lhe tira o futebol, arranca-lhe a existência.

Afinal, de escorreito pouco deve ter. Não é por gostar de desporto, mas por não saber o seu significado.

Fazem-no acreditar na crise conjuntural a nível mundial, como se as riquezas do nosso planeta e também a água, o sol, a energia, se esvaíssem para fora do Sistema Solar. Sim, de vez enquando lá se vai a porcaria de meia dúzia de computadores órbita fora. 

Olha a crise, olha a retoma, lá vem a crise outra vez.

O João Nanico limita-se a olhar. Olha para o lado esquerdo, olha para o lado direito, às vezes olha em frente e para trás, conforme as conveniências do tempo e da vontade que não tem. Das únicas vontades a que dá satisfação relembra aquela que advém da contracção muscular abdominal, causando no seu semblante um explícito ar de pânico.

A cereja em cima do bolo

nem sempre é espelho do melhor resultado

"A cereja em cima do bolo" é uma expressão que todos conhecem, usada amiudadas vezes em conversas de todo o tipo, não somente nas que se referem à doçaria. A arte de bem cozinhar deriva de vários fatores que concorrem para um bom resultado na confeção de determinado alimento ou refeição. A expressão que faz o título deste artigo serve exatamente para definir a finalização de certo acontecimento ou discurso, com o objetivo de melhor o retratar, sempre que a perfeição na conclusão exista, tomando-se como ponto sólido a relatividade das opiniões que se estabeleçam a esse propósito.

Se é verdade que uma cereja de vivo vermelho e brilhante, cristalizada, eventualmente, realçando a luz da calda de açúcar que secou, dará ao bolo uma ótima aparência e um toque final que deixa "transparecer" superior qualidade, o contrário dessa boa qualidade pode, apesar da aparência, ser real, ocultando-se deste modo a essência da frase.

Não é um bom contraste no colorido de um prato em que os elementos que o formam beberam quase ininterruptamente dos poros do executante, talvez debruçado e expelindo constipação por poros dilatados pelo calor e humidade da cozinha, que o transforma numa delicada iguaria ou apreciado manjar. Também não será o risco de um molho qualquer, envolvendo a composição "artística", que lhe fornecerá sabor extraordinário.

O contrário de tudo isto pode, no entanto, ser também verdadeiro ou quase.

Se o leitor estiver virado para coisas relativamente simples, irá verificar que "a cereja em cima do bolo" nem sempre será necessária; poderá comê-la antes de tudo, como simples aperitivo.

Numa panela de barro preto de Bisalhães, deixe cair um fio de azeite e junte-lhe três dentes de alho, levemente esmagados. Coloque em lume brando. Depois de estalado o alho, acrescente uma porção de arroz que achar conveniente. Envolva tudo muito bem com uma colher de pau. Entretanto, deverá ter um recipiente de água a ferver na quantidade certa para o arroz que utilizou. Fogo no máximo, mas cuidado, não vá o arroz queimar-se. Quando a água estiver quase consumida pelos grãos de arroz, junte por cima deste finas lascas de queijo forte como o dos Açores, cobrindo toda a superfície. Fogo no mínimo agora. Logo que a água desapareça, desligue o lume. Deixe descansar o arroz para libertar o vapor. Após este descanso, a panela de barro com o arroz deverá permanecer em forno bem quente, uns quinze minutos.

Ao mesmo tempo que coze o arroz, aproveite o tempo. Em outra panela de Bisalhães, deite um novo fio de azeite e coloque ao lume. Junte-lhe pequenos pedaços de presunto com o respetivo courato e, com o mesmo tamanho, pedaços de chouriço, preferencialmente picante. Deixe fritar um pouco. Junte-lhe, dependendo dos convidados, feijão preto previamente cozido. Resta agora que se apure durante o mesmo tempo em que o arroz permanece no forno. Sirva o feijão e o arroz com um vinho da região do Douro. Um pormenor, quando servir, deve ter em atenção: antes de comer, o arroz, tal como alguns vinhos, deve ser "decantado", ou seja, quando estiver já no prato "cortar-se-á" para que se espalhe, perdendo um pouco do seu calor, misturando-se com o queijo, purificando o seu sabor. 

Este prato deve comer-se ao almoço. Não se esqueça que, passado algum tempo, vai sentir vontade de beber uma boa cerveja. Faça-o apenas depois da digestão feita, passadas pelo menos três horas.

Não sei se neste prato poderemos considerar que a cereja é o barro preto de Bisalhães.

D. Antónia Ferreirinha

A figura de D. Antónia Ferreirinha é ainda hoje quase como uma entusiástica lenda da região do Douro. D. Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida por "a Ferreirinha" a grande mulher do Douro, pela sua coragem e determinação, não se trata, de facto, de uma lenda mas da grande protagonista feminina de uma história verdadeira, em certa medida conturbada, plenamente inserida e condicionada pela história do vinho e da vinha e dos problemas que envolviam o trabalho e o desenvolvimento da região do Douro no século XIX.

D. Antónia Ferreirinha nasceu em 1811. Casou-se com um primo direito, António Bernardo Ferreira. Foi um casamento curto, pois António Bernardo viria a falecer muito novo ainda, aos 32 anos, deixando à esposa todo o seu património sobrecarregado de hipotecas. Numa frágil situação financeira, a Ferreirinha arregaçou as mangas e avançou para o trabalho de recuperação económica dos seus bens. Com uma força extraordinária digna de admiração, a Ferreirinha consegue pagar as dívidas e ultrapassar problemas, renovando quintas, recuperando muitas das terras hipotecadas, comprando outras e plantando vinhas. Transforma-se assim numa grande proprietária do Douro, dona de uma riqueza de que fazem parte 25 quintas, mil trabalhadores e uma produção, nos seus melhores tempos, de 4 000 pipas de vinho. São vários os episódios que a incomodaram durante a sua vida, alguns deles com implicações familiares. Um desses episódios relacionou-se com o marechal Saldanha que pretendia casar um filho seu com Maria d' Assunção, apenas com doze anos, filha de D. Antónia. Esta, por este motivo, viu-se obrigada a fugir para Espanha e depois para Londres, onde permaneceu três anos.

D. Antónia teve enorme êxito não só nos seus negócios mas também no desenvolvimento da região duriense, assumindo um papel principal na história do Vinho do Porto. Além disso, mandou construir hospitais, estradas, fazendo bem a muita gente, nomeadamente aos seus empregados. Um dia sobreviveu ao desastre no rio Douro que vitimou um seu grande amigo, o Barão de Forrester.

A Ferreirinha faleceu aos 85 anos, deixando um legado valiosíssimo ligado à produção e comércio do Vinho do Porto.

O Evangelho da Família

Desafios pastorais sobre a família

de Walter Kasper

Uma vida permeada pela fé é a existência idealizada dos cristãos; porém, a realidade das vivências de relação, em circunstâncias de permanente adversidade, por vezes, instaura a desilusão, o desânimo, a infelicidade – particularmente quando ocorre o insucesso matrimonial – comprometendo as indispensáveis harmonias, com consequências nefastas quer no âmbito relacional, dos afetos, quer nos equilíbrios de ordem psicológica dos atingidos. A afetação pessoal inevitavelmente faz-se sentir também na comunidade. E este é um dos problemas mais sérios e controversos que o modelo familiar, atualmente, enfrenta, sendo, por isso, também a grande inquietação que a Igreja vive. Em sequência, e a par de várias outras questões igualmente interpelantes, o papa Francisco convocou um Sínodo extraordinário para outubro onde se refletirá o tema da Família.

O cardeal Kasper, um dos indigitados teólogos para a preparação do Sínodo, verteu no presente livro – O Evangelho da família – parte da sua aturada reflexão. Ao percorrer o pensamento da Igreja, desde os seus primórdios, ele encontrou um manancial de informação e de práticas, seguidas pelas comunidades cristãs que podem legitimar uma profunda reestruturação da disciplina eclesiástica neste particular. É um texto de partilha que muito ajudará ao esclarecimento sobre os «Desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização», e muito contribuirá para a pacificação das consciências no esforço de harmonização dos comportamentos com a fidelização à doutrina.